Reprodução/Efe
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Ariel Castro é indiciado por sequestro e estupro em Cleveland

Dono da casa onde estavam as três mulheres resgatadas está preso desde segunda-feira

O Estado de S. Paulo,

08 de maio de 2013 | 18h44

CLEVELAND - Ariel Castro, dono da casa onde foram encontradas as três americanas sequestradas há cerca de dez anos, foi indiciado nesta quarta-feira, 8, pelos crimes de sequestro e estupro. Ele manteve Amanda Berry, Gina DeJesus e Michelle Knight em cativeiro na própria casa, em Cleveland, Ohio, por quase dez anos.

Castro, de 52 anos, foi preso na segunda-feira e é acusado de ter estuprado as três mulheres durante o tempo em que as manteve presas, informou o promotor assistente de Cleveland, Victor Perez. A promotoria de Cleveland apresentou quatro acusações por sequestro e três por estupro contra Ariel.

Os dois irmãos de Ariel, Pedro e Onil, que também foram presos na segunda-feira, não foram indiciados até o momento.

O vereador de Cleveland Brian Cummins disse nesta quarta-feira que as três mulheres sofreram abuso sexual por um período prolongado e fizeram abortos. Cummins disse ter falado com fontes do governo e policiais sobre o caso e, segundo ele, muitos detalhes ainda não foram esclarecidos, como por exemplo o número de gravidez e as condições sob as quais os abortos aconteceram.

O vereador disse também que as mulheres foram mantidas no porão por algum tempo, sem terem acesso ao restante da casa. Cummins disse não ter detalhes sobre as condições em que elas foram mantidas em cativeiro. De acordo com a polícia, as mulheres foram aparentemente presas com cordas e correntes.

Perfil. Vizinhos de Ariel Castro disseram que ele ajudou nas buscas e participou das vigílias pelas garotas. "Quando a vizinhança se reuniu para uma vigília à luz de velas, um ano atrás, para lembrar uma delas, ele estava presente e confortando a mãe da vítima". Como quase todos na comunidade, formada principalmente por porto-riquenhos, Castro pareceu abalado em 2004 com o desaparecimento de Gina DeJesus e de outra adolescente, um ano antes.

A polícia acredita que Amanda Berry, de 27 anos, Michelle Knight, de 32, e Gina DeJesus, de 23, foram mantidas no local desde o sequestro e não puderam sair da casa. Uma menina de 6 anos, que pode ser filha de Berry, também foi encontrada na casa. O chefe de polícia adjunto Ed Tomba não disse quem é o pai dela.

Uma semana atrás, Castro levou a menina para um parque próximo, onde brincaram no gramado, afirmou Israel Lugo, um vizinho que mora na mesma rua. "Eu perguntei a ele de quem era a menina e ele me disse que ela era filha de sua namorada."

Um parente dos acusados disse que a família está "totalmente chocada" após saber das mulheres desaparecidas que foram encontrada na casa. Juan Alicea disse que a prisão dos irmãos de sua mulher deixaram os parentes "tão surpresos quanto qualquer outra pessoa" da comunidade.

Ele afirmou que não vai à casa do cunhado desde o início da década de 1990, mas que jantou com Ariel na casa de um outro irmão pouco antes das prisões, ocorridas na segunda-feira.

O chefe de polícia Michael McGrath disse nesta quarta-feira, em entrevista ao programa "Today", da rede NBC, que as três mulheres eram mantidas amarradas e acorrentadas e tinham permissão para sair para o quintal ocasionalmente.

O filho de Ariel Castro, Anthony Castro, disse em entrevista ao jornal Daily Mail, de Londres, que fala poucas vezes por ano com o pai e raramente visita sua casa. Em sua última visita, duas semanas atrás, Anthony disse que o pai não permitiu que ele entrasse. "A casa estava sempre trancada", disse ele. "Havia lugares onde nunca pudemos ir. Havia travas no porão, no sótão, na garagem."

Anthony, que vive em Columbus, escreveu um artigo para um jornal comunitário em Cleveland a respeito do desaparecimento de Gina DeJesus, semanas após o sequestro. Na época, ele era estudante de jornalismo. "É indescritível o fato de eu ter escrito sobre isso dez anos atrás e descobrir que o caso está tão perto da minha família", disse ele ao jornal The Plain Dealer.

Quase todos na vizinhança conhecem Ariel Castro. Os vizinhos dizem que ele tocava baixo em bandas de salsa e merengue e levava as crianças do bairro para andar em sua motocicleta.

Tito DeJesus, tio de Gina DeJesus, tocou em bandas com Castro nos últimos 20 anos. Ele se lembra de ter ido à casa de Ariel, mas nunca percebeu nada de diferente.

Juan Perez, que mora a duas casas da residência de Ariel, disse que ele estava sempre feliz e era atencioso. "Ele conquistou a confiança das crianças e de seus pais. Você só consegue isso se for legal", afirmou.

Há até pouco tempo, Ariel Castro trabalhava como motorista de ônibus escolar. Ele era amigo do pai de Gina DeJesus, uma das mulheres sequestradas, e ajudou nas buscas após seu desaparecimento, disse Khalid Samad, amigo da família.

"Nós saímos para procurar Gina, ele ajudou a distribuir os panfletos", disse Samad, ativista comunitário que esteve no hospital com DeJesus e sua família na noite de segunda-feira. "Ele era amigo da família."

Resgate. As mulheres foram resgatadas depois de Berry ter derrubado a parte de baixo de uma porta de tela, que estava fechada, com a ajuda do vizinho Charles Ramsey e usado o telefone dele para chamar a polícia. Depois de resgatadas, elas tiveram contato com as famílias, mas permaneceram isolada.

Na manhã desta quarta-feira, Berry chegou à casa de sua irmã em meio a uma multidão. "Por favor, respeitem nossa privacidade até que nós estejamos prontos para nos pronunciarmos", disse a irmã Beth Serrano.

Gina voltou à casa de sua família nesta tarde em meio a pessoas entoando seu nome "Gina! Gina!". A terceira vítima, Michelle está em boas condições em um hospital local. / AP e EFE

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