Rodrigo ABD/AP
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Aristide prepara volta ao Haiti a 4 dias de eleição

De acordo com fonte ligada ao ex-presidente, ele deve desembarcar hoje em Porto Príncipe

Roberto Simon, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2011 | 00h00

Figura polarizadora no Haiti, o ex-presidente Jean-Bertrand Aristide deve desembarcar a qualquer momento em Porto Príncipe, dias antes do segundo turno das eleições haitianas, marcado para domingo. Ontem uma fonte ligada ao ex-presidente disse à agência France Presse que ele chega ainda hoje na capital.

O retorno de Aristide, cujo governo foi marcado pelo terror de gangues criminosas, as temidas "chimères" (quimeras), é visto com cautela por autoridades haitianas e internacionais que tentam concluir o processo eleitoral. Os EUA chegaram a pedir que ele postergasse a volta para depois do domingo. Mas, entre observadores e diplomatas, a percepção é que Aristide não tem capital político para de fato ameaçar a eleição. Como o ex-ditador Jean-Claude Duvalier, o "Baby Doc", que subitamente apareceu em Porto Príncipe em janeiro e hoje passa os dias calado em sua casa na capital, o ex-padre ligado à teologia da libertação não seria capaz de mobilizar as massas e efetivamente mudar o tabuleiro da política.

No domingo, haitianos escolherão nas urnas entre o pop star Michel Martelly e a ex-primeira-dama Mirlande Manigat.

Ontem terminou a pintura da fachada da mansão em Porto Príncipe do ex-presidente, que agora está pronta para recebê-lo. Aristide foi duas vezes presidente: entre 1990 e 1991, quando foi deposto por um golpe militar, e entre 2001 e 2004, ano em que se viu imerso em uma rebelião popular e trocou o Haiti pelo autoexílio na África do Sul.

Ele ainda tem apoio de simpatizantes de seu partido, o centro-esquerdista Lavalas, que foi banida das atuais eleições, mas é execrado por nacionalistas e grupos liberais que sofreram sob seu regime.

PARA LEMBRAR

Primeiro presidente eleito do Haiti, em 1994, Jean-Bertrand Aristide voltou ao poder para um segundo mandato em 2001, mas foi derrubado três anos depois após uma rebelião popular. Acusado de corrupção, ele se mantinha na presidência graças a gangues criminosas de bairros de Porto Príncipe. Expulso do país, ele vive desde 2004 no exílio na África do Sul.

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