REUTERS/John Vizcaino
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Aristocrata, Santos foi da mão dura à paz com a guerrilha em 10 anos

Ataques às Farc foram ordenados pelo atual presidente durante sua passagem pelo Ministério da Defesa

O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2016 | 18h52

Nascido e criado nos círculos do poder, o destino parece ter reservado um papel especial para Juan Manuel Santos. Mesmo com a derrota no plebiscito após o acordo histórico com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), ele manteve o cessar-fogo e reiterou sua vontade de incluir no pacto os que se opõem a ele, grupo liderado pelos ex-presidentes Álvaro Uribe e Andrés Pastrana.

A paz, no entanto, não foi sempre sua prioridade. Como ministro ou presidente, esteve ligado a operações nas quais foram mortos o então número 1 das Farc, conhecido como Alfonso Cano (2011), o número 2, conhecido como Raúl Reyes (2008), o chefe militar da guerrilha, conhecido como Mono Jojoy (2010), assim como 63 outros líderes de frentes rebeldes.

Após debilitar as Farc com ataques militares, Santos considerou chegado o momento de iniciar uma negociação. Essa ousadia provocou a ruptura com Uribe, que o escolhera como seu candidato à presidência em 2010, e com um grande setor da sociedade que não o perdoa por ter trocado as armas pelas conversações de paz, e o acusa de entregar a Colômbia para as Farc.

Aos 65 anos e em seu segundo mandato, o economista e jornalista, que nasceu em 10 de agosto de 1951 em uma família aristocrática da capital, conhece o poder desde o berço, pois um tio-avô, o liberal Eduardo Santos, foi presidente da Colômbia entre 1938-1942.

Sua família foi durante décadas proprietária de El Tiempo, o jornal mais influente da Colômbia, onde começou sua atividade como jornalista, que alternou com uma longa carreira na administração pública, coroada em 2010 ao chegar à presidência, sendo reeleito em 2014 para um segundo mandato que terminará em 2018.

O presidente é casado com María Clemência Rodríguez, com quem tem três filhos: Martín, María Antonia e Esteban. É graduado em economia e administração de empresas na Universidade do Kansas (EUA).

Em sua longa vida pública, foi também ministro do Comércio Exterior (1991-1994) no governo de César Gaviria, e Designado Presidencial (1993-1994), cuja função era assumir a chefia de Estado em caso de ausência do presidente.

Foi, além disso, titular de Fazenda entre 2000 e 2002, no governo de Andrés Pastrana, e ministro da Defesa de Uribe, cargo no qual liderou a aplicação da política de Segurança Democrática de seu chefe e o lançou à presidência.

Com o faro político que o caracteriza, percebeu que o pêndulo da história se movimentava em direção à negociação e iniciou as conversações em busca da paz, que foi finalmente assinada em Cartagena em 26 de setembro. / EFE

 

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