Arizona não tem regras estritas para posse de armas

Estado está entre os mais permissivos dos EUA; ativistas dizem que problema é cultural

estadão.com.br

11 de janeiro de 2011 | 10h59

Incidente envolvendo deputada deve reavivar debate sobre legislação nos EUA.

 

NOVA YORK - As leis sobre posse de armas do Estado do Arizona é uma das mais brandas entre as legislações estaduais dos EUA. Além disso, carregar uma arma de fogo é uma questão cultural para os habitantes do Estado, segundo reportagem do jornal americano New York Times.

 

Foi em Tucson, cidade do Arizona, que ocorreu um ataque a uma deputada democrata que chocou o país. Jared Lee Loughner, um americano de 22 anos, abriu fogo contra a congressista Gabrielle Giffords e mais 19 pessoas. Seis dos atingidos morreram e vários feridos, inclusive a parlamentar, estão em estado grave.

 

A arma utilizada por Loughner - uma pistola Glock 19, de calibre 9 mm, mesmo modelo usado no tiroteio da Universidade Virginia Tech em 2007, quando morreram 32 pessoas - foi comprada legalmente.

 

No Arizona, não é preciso uma permissão especial para portar armas. Além disso, americanos que vivem no Estado podem levar armas para o trabalho, contando que ela fique no veículo de seu dono - e que o veículo fique trancado. Também é permitida a posse de armas em restaurantes e bares.

 

O Estado viveu uma aceleração no abrandamento das leis de posse de arma nos últimos dois anos, quando a republicana Jan Brewer se tornou governadora, colocando o partido no controle do Executivo e do Legislativo. Nas últimas duas semanas, foram aprovadas leis que permitem a posse de armas dentro de faculdades.

 

A lei federal americana impede a venda de armas para pessoas classificadas como "deficientes mentais", "usuários ilegais de drogas" e "dependentes químicos". Loughner foi preso em 2007 por posse de drogas e expulso de universidades em Tucson por conta de mau comportamento, já que os diretores tinham dúvidas sobre sua "sanidade mental". Mesmo assim, ele conseguiu comprar a pistola.

 

O problema do Estado, dizem defensores de leis mais estritas para a posse de armas, é cultural. "Aqui no Arizona, é difícil mudar a cultura. Mas nós vamos tentar", disse Hildy Saizow, presidente da ONG Arizona pela Segurança das Armas.

 

As próprias vítimas de Loughner são adeptas das armas. "Eu tenho uma Glock e sei atirar muito bem", disse a deputada Gabrielle ao New York Times em uma entrevista em 2010. O juiz federal John Roll, um dos mortos no ataque, levava a esposa e colegas para aprender a disparar em locais especializados na cidade.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.