Armas dominam encontro EUA-Rússia

Interessado em acordo sobre arsenal nuclear, Washington ignora Cáucaso

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

08 de maio de 2009 | 00h00

Em meio a tensões crescentes entre a Rússia e a Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan), a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, teve ontem uma reunião bastante amigável com o chanceler russo, Sergei Lavrov. Hillary deixou claro que o pragmatismo guiará o relacionamento dos EUA com a Rússia, ao afirmar que as divergências em relação à Geórgia não vão impedir a cooperação dos dois países em desarmamento nuclear. "Até pessoas da mesma família discordam", brincou Hillary, em entrevista após a reunião com Lavrov. "Faz parte da velha escola de pensamento achar que, por discordarmos em um assunto, não podemos trabalhar juntos em outra coisa extremamente importante; a segurança do mundo depende do que estamos fazendo juntos com a não-proliferação de armas nucleares." A Rússia invadiu a Geórgia no ano passado, ação condenada pela comunidade internacional. Moscou encara exercícios militares da Otan na Geórgia esta semana como provocação, pois que considera o país parte de sua "esfera de influência". O governo russo também se ressente com os convites para a Geórgia e a Ucrânia integrarem a Otan.Depois de se reunir com Hillary, Lavrov se encontrou com o presidente Barack Obama, que visitará Moscou em julho. Após o encontro, Obama afirmou que a relação entre EUA e Rússia "pode melhorar em várias áreas, como proliferação nuclear, desarmamento, a situação no Afeganistão e Paquistão, como abordar o Irã, conflitos no Oriente Médio e a economia mundial". Lavrov retribuiu, dizendo: "Trabalhamos de forma pragmática em interesses comuns, sempre que nossas posições coincidem, e trabalhamos com base no respeito quando discordamos; e posso dizer mais uma vez que o presidente (Dmitri) Medvedev está esperando ansiosamente pela reunião em Moscou."Os últimos dias têm sido especialmente tensos para o relacionamento entre a Rússia e o Ocidente. A Otan expulsou dois diplomatas russos de sua sede em Bruxelas, acusados de espionagem. Em represália, a Rússia expulsou dois canadenses adidos da Otan em Moscou. O governo russo encara como provocação os recentes exercícios da Otan na Geórgia. E o governo georgiano afirma que a Rússia está por trás dos protestos da oposição que estão tumultuando o país. Mas esses assuntos foram mencionados apenas tangencialmente, e a cooperação para a assinatura de novos acordos de desarmamento, um dos únicos temas em que Rússia e EUA concordam, teve prioridade. Os dois países iniciaram recentemente a negociação do pacto que substituirá o Start, tratado de desarmamento de 1991 que expira no fim do ano. Lavrov afirmou que a redução dos arsenais nucleares era "importante demais para os EUA, a Rússia e o restante do mundo para ficar refém" de outros assuntos. "Queremos normalizar o relacionamento e levá-lo para um nível superior" disse Hillary.

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