Armas, não Saddam, são a base para a guerra, diz Blair

A brutalidade de Saddam Hussein é mais um motivo para uma guerra contra o Iraque, mas não pode ser utilizada como justificativa principal, disse nesta terça-feira o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair.Blair citou a crueldade de Saddam na esperança de persuadir os opositores da guerra a apoiarem sua posição de linha dura, mas disse que a exigência da Organização das Nações Unidas (ONU) para que o Iraque se desarme deve ser a base de qualquer ação.O primeiro-ministro britânico expôs seus argumentos contra Saddam durante uma entrevista coletiva de aproximadamente uma hora, dominada pela crise envolvendo o Iraque.Cuidadoso ao enfatizar que a crise internacional diz respeito estritamente às armas de destruição em massa, ele citou em diversas ocasiões a violência e a repressão do governo de Saddam Hussein contra seu povo."A base para esta ação é o desarmamento, que está sob responsabilidade das Nações Unidas", disse Blair.Ele pediu às centenas de milhares de pessoas que no sábado protestaram contra a guerra nas ruas de Londres que ouçam os relatos dos exilados iraquianos sobre torturas e aprisionamentos praticados por Saddam."A razão para fazermos isto não é a natureza do regime, mas ela pode demonstrar, se iniciarmos uma ação militar, que o fazemos conscientes de que estamos removendo do poder um dos regimes mais bárbaros e detestáveis da história política moderna", disse ele.Em Washington, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, elogiou a posição de Blair, apesar da oposição pública à guerra na Grã-Bretanha."Tony Blair compreende que Saddam Hussein é um risco. Tony Blair percebe que uma ONU enfraquecida não é boa para a paz mundial. Ele é um líder corajoso. Tenho orgulho de chamá-lo de amigo", disse Bush.

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