Armas podem ser usadas em ataques contra porta-aviões

Análise

Roberto Godoy, O Estadao de S.Paulo

27 de maio de 2009 | 00h00

O segundo dia de testes de mísseis da Coreia de Norte, depois do ensaio nuclear, foi uma exibição de músculos: as armas disparadas da base aeronaval de Sinsang são do tipo KN-1, antinavio, com 130 quilômetros de alcance. Grandes, pesados, e armados com ogivas de 750 quilos, servem para atacar principalmente porta-aviões. Os enormes porta-aviões americanos.É uma herança tecnológica e doutrinária da extinta URSS. Durante a Guerra Fria,deveria ser usado em larga escala contra os Grupos de Batalha dos EUA. Assim: cada força-tarefa é defendida por aviões, mísseis antiaéreos e, no limite final, por canhões de tiro rápido, coisa de 4 mil disparos por minuto, sob controle eletrônico. Tudo isso para evitar o bombardeio direto contra o navio, seus 70 aviões, pouco mais de 5 mil tripulantes e um enorme arsenal que inclui a presença nunca admitida - nem negada - de armas nucleares.A doutrina soviética previa a única forma de furar o bloqueio, o lançamento de não menos que 20 mísseis - eventualmente, até 60 deles - ao mesmo tempo. Um ou dois inevitavelmente passariam. E, no mínimo, neutralizariam o porta-aviões.O projeto foi transferido para a China. Mais tarde chegou à Coreia do Norte e ao Irã. Semelhantes a um avião pequeno, os KN-1 foram amplamente revitalizados. O centro de guiagem digital é orientado por radar e sinais de satélite. Mede 7,6 metros, tem 90 centímetros de diâmetro e pesa cerca de 3,5 toneladas. O motor é um turbo-jato dotado de limitador de calor. Ontem, garante a agência de notícias Yonhap, os dois mísseis disparados chegaram ao objetivo.Desde 1990, o regime de Pyongyang construiu e modernizou cerca de 1.500 mísseis convencionais, com alcance entre 75 e 8 mil quilômetros. Vendeu 400 deles - os mais simples - para países como Iraque (sob Saddam Hussein), Irã, Síria, Líbia, Paquistão, Egito, Iêmen e Sudão.O Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, de Londres, revelou em seu relatório de 2008 que a expansão da capacidade de velhos modelos dos mísseis Scud A/B/C soviéticos, renderam US$ 650 milhões - o suficiente para manter o programa de desenvolvimento dos modelos de maior raio de ação.O resultado prático desse esforço é uma família formada pelo precursor Nodong-1, com alcance na faixa dos 1.500 km, armado com uma ogiva de 250 kg. Depois dele, vêm os Taepodongs, com raio de ação entre 2 mil e 8 mil quilômetros, fabricados em quatro diferentes centros. O maior deles poderia atingir o Alasca e ao Havaí. O Taepodong mais avançado mede 35,5 metros, tem três estágios e pesa 64 toneladas. O peso estimado das ogivas é de 1,2 tonelada. A versão já em uso pelas Forças Armadas norte-coreanas é o Taepodong-1, preparado para atingir objetivos estratégicos na Coreia do Sul e no Japão. Há uma configuração leve para ser lançada a partir navios.

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