Khalil Ashawi /Reuters
Khalil Ashawi /Reuters

Armas químicas declaradas pela Síria foram totalmente destruídas

Porta-voz da organização responsável em supervisionar o processo, a OPAQ, declara que arsenal foi 100% foi destruído

O Estado de S. Paulo

05 Janeiro 2016 | 18h51

Todo o arsenal de armas químicas declarado pela Síria em 2013 foi destruído, anunciou nesta terça-feira, 5, a organização encarregada de supervisionar o processo, dois anos após a primeira retirada dessas armas do país. O arsenal "foi 100% destruído", declarou à agência France-Presse o porta-voz da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), Malik Ellahi. 

A organização, que supervisionou a destruição dos estoques de armas declaradas por Damasco, indicou que os últimos 75 recipientes de fluoreto de hidrogênio foram destruídos no Texas.

No entanto, a organização expressou preocupação com as denúncias nos últimos meses sobre a persistência do uso de gás mostarda, sarin e cloro durante a guerra civil que arrasa a Síria há cinco anos e já deixou mais de 250 mil mortos.

Contudo, a OPAQ não se pronunciou sobre a origem desses ataques químicos, proibidos pela legislação internacional, e não acusou formalmente nem o regime, nem os grupos rebeldes, nem o grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

Depois de negar por vários anos que possuía estoques de armas químicas, o regime de Bashar Assad acabou cedendo em 2013 à pressão internacional e concordou em declarar e entregar seu arsenal químico, como parte de um acordo supervisionado pela OPAQ.

"Esta destruição encerra um capítulo importante na eliminação do programa de armas químicas na Síria", declarou em um comunicado o diretor-geral da OPAQ, Ahmet Üzümcü.

Mas ele reconheceu que a organização com sede em Haia continua "a trabalhar para esclarecer a declaração síria e responder sobre o uso de armas químicas no país".

Em um relatório publicado na segunda-feira, a missão de especialistas da OPAQ considerou que a população na Síria pode ter sido, mais uma vez, exposta ao gás sarin, ou a "uma substância similar".

A equipe investigou 11 episódios de uso de produtos químicos relatados pelo governo sírio, mas o documento não especifica onde, nem quando ocorreram.

"As pessoas afetadas podem ter estado expostas a uma certa substância irritante não persistente", mas os investigadores "não encontraram provas que esclareçam a natureza específica dessa exposição, ou sua fonte".

Em um dos casos, afirma o texto, "a análise de amostras de sangue indica que as pessoas foram expostas em um dado momento ao sarin, ou a uma substância similar a esse gás". O regime sírio e o grupo Estado Islâmico foram acusados de utilizar armas químicas no conflito.

De acordo com os termos do acordo concluído em setembro de 2013 em Genebra pelo secretário de Estado americano John Kerry e seu colega russo Serguei Lavrov, a Síria reconheceu possuir 1.300 toneladas de armas químicas.

O acordo foi o resultado de uma iniciativa da Rússia, principal aliado do regime sírio, que escapou, assim, dos ataques aéreos ameaçados por Paris e Washington depois de um ataque com gás sarin perto de Damasco.

O Ocidente e a oposição síria acusaram o regime deste ataque, realizado em agosto de 2013, que fez centenas de mortos.

Sob o acordo, o arsenal químico sírio deveria ser destruído em sua totalidade antes de 30 de junho de 2014, e seus resíduos até 31 de dezembro do mesmo ano. Mas os adiamentos do regime e as restrições da guerra civil impediram o cumprimento desses prazos.

A maior parte do arsenal sírio, de gás mostarda e sarin, foi neutralizado em um navio da marinha americana. A OPAQ foi agraciada com o Prêmio Nobel da Paz em 2013 por seu trabalho na Síria. / AFP

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