Armas voltam ao lar. Como ameaça

As armas químicas e biológicas estão entre nós e podem ser usadas a qualquer momento. Parece fácil dizer isto hoje, mas o alerta foi lançado semanas antes dos atentados contra os Estados Unidos e da retomada da paranóia da morte invisível que vem da água ou do ar. Trata-se do livro Germs: Biological Weapons and America´s Secret War. Foi escrito por Judith Miller, Stephen Engelberg e William Broad, todos jornalistas do The New York Times. A obra descreve a evolução das armas biológicas nos últimos 70 anos: de possibilidade tão remota quanto a ida do homem ao espaço, elas se tornaram ferramentas caras, mas à disposição de todos. No meio do caminho, a Guerra Fria. O perigo desenvolvido por americanos e russos é agora estocado por Saddam Hussein e líderes religiosos de ideologia obscura. Meio quilo De acordo com os autores, as primeiras iniciativas americanas e soviéticas neste campo datam do final da década de 20. Na época, um grupo de cientistas produziu "uma toxina do botulismo tão concentrada que com meio quilo dela seria possível matar um bilhão de pessoas". Aparentemente, o programa da União Soviética permaneceu desconhecido até 1995, quando agentes de Washington visitaram seis campos de produção de germes nas usinas de Stepnogorsk, no Cazaquistão. Encontraram material suficiente para produzir 300 toneladas de antraz em 7 meses. Em 1979, sabe-se hoje, um acidente com o produto matou pelo menos 66 pessoas. Nos últimos anos, as usinas permaneceram fechadas. Inspetores americanos fazem inspeções freqüentes no país - a desta semana foi na ilha de Vozroshdeniye, no Mar Aral. Já em 1969, Richard Nixon havia lançado o programa de controle de armas químicas e biológicas. Mas os estudos russos continuaram. Para os autores, as ações americanas e a dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas causaram a distribuição dessa tecnologia entre outros países. O Iraque, por exemplo, apreendeu a tecnologia desenvolvida durante décadas e "conseguiu produzir centenas de galões de antraz e botulismo em poucos anos". Como nas ficções de Hollywood, a arma caiu nas mãos erradas. Amor e salmonela O primeiro ataque bioterrorista em território americano ocorreu em 1984. Os seguidores do Rajneeshe, um culto devotado à beleza, ao amor e ao sexo livre, contaminaram com a bactéria salmonela um supermercado e vários restaurantes em The Dalles, Estado de Oregon. O objetivo era tomar o controle da cidade. Ninguém morreu, mas 750 pessoas ficaram gravemente feridas. O incidente mais famoso ocorreu do outro lado do mundo: em março de 1995, a seita Aum Shinrikyo atacou o metrô de Tóquio com o gás sarin depois de ter tentado, dois anos antes, lançar antraz contra a população. O sarin matou 12 pessoas e feriu 6 mil. Enquanto o próprio prédio do New York Times é interditado por causa de um suposto ataque, os autores do livro continuam vendendo muito mais do que o assunto comportava antes de 11 de setembro - o livro está em quinto lugar entre as obras de não-ficcção da lista da Associated Press. Mas os três não devem estar propriamente felizes: o envelope que provocou pânico no edifício do ornal foi endereçado à autora Judith Miller, especialista em terrorismo. Leia o especial

Agencia Estado,

13 Outubro 2001 | 10h10

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