Vahram Baghdasaryan/Photolure via REUTERS
Vahram Baghdasaryan/Photolure via REUTERS

Armênia, Azerbaijão e Rússia assinam acordo para encerrar conflito

Moscou confirmou 'cessar-fogo total' em Nagorno Karabakh, região separatista; manifestantes armênios invadiram sede do governo em Ieravan

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2020 | 23h40

O presidente russo Vladimir Putin confirmou um acordo de "cessar-fogo total" entre a Armênia e o Azerbaijão pelo controle da região de Nagorno Karabakh, que entrou em vigor às 21h (horário local, 18h de Brasília) desta segunda-feira, 9, minutos após um anúncio feito pelo primeiro-ministro armênio.

"Em 9 de novembro, o presidente do Azerbaijão (Ilham Aliyev), o primeiro-ministro da Armênia (Nikol Pashinian) e o presidente da Federação Russa assinaram uma declaração, anunciando um cessar-fogo total e o fim de todas as ações militares na zona de conflito de Nagorno Karabakh a partir da meia-noite de 10 de novembro, hora de Moscou", informou Vladimir Putin.

Segundo a Rússia, os beligerantes mantêm suas posições. Em comunicado publicado esta noite em sua página no Facebook, Pashinian anunciou, pouco antes, ter "assinado uma declaração com os presidentes de Rússia e Azerbaijão sobre o fim da guerra em Karabakh, classificando a iniciativa de "inacreditavelmente dolorosa para mim e para o nosso povo".

Queda de Shusha

Desde o fim de setembro, são travados os combates mais sangrentos em quase 30 anos entre os separatistas armênios de Nagorno Karabakh e o Exército do Azerbaijão, país que deseja recuperar o controle da província separatista, que se tornou independente de fato no começo dos anos 1990, após uma guerra que deixou mais de 30 mil mortos.

O anúncio do fim das hostilidades é feito depois que as forças azeris afirmaram que haviam se apoderado de Shusha, cidade estratégica localizada no topo de uma montanha que serve de fortaleza natural, a cerca de 15 quilômetros de Stepanakert, capital de Nagorno Karabakh, e na estrada principal que leva ao território da Armênia, país aliado dos separatistas.

Além de sua localização estratégica, a cidade é um símbolo para os azeris, que a consideram um de seus principais centros culturais. Foi habitada principalmente por azeris até o fim da década de 1980, embora ambas as comunidades convivessem no local.

A queda da cidade foi considerada uma virada na guerra. "Tomei essa decisão após analisar em profundidade a situação militar", assinalou Pashinian no Facebook, referindo-se aos avanços azeris nas últimas seis semanas. Segundo ele, o acordo foi "a melhor solução na situação atual".

O presidente azeri, Ilham Aliyev, considerou o acordo uma "capitulação" da Armênia após seis semanas de confrontos. "Obrigamos o premier Nikol Pashinian a assinar o documento, o que equivale a uma capitulação", afirmou na TV. "Disse que expulsaríamos os armênios de nossa terra como cães, e o fizemos."

Manifestantes armênios irritados com o acordo invadiram a sede do governo em Ierevan. Milhares se concentraram em frente ao prédio e centenas deles entraram no local, saquearam escritórios e quebraram janelas.

Eles gritavam "Não vamos desistir", referindo-se a Nagorno Karabakh. Pashinian disse que qualquer pessoa envolvida na agitação será severamente punida. /AFP e REUTERS

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