Areg Balayan/PAN Photo via AP
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Turquia alerta Armênia após mais um dia de confrontos

Ao menos 26 separatistas morrem em embates com tropas do Azerbaijão; número de vítimas foi a 95, incluindo 11 civis

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2020 | 19h58
Atualizado 28 de setembro de 2020 | 22h57

YEREVAN, ARMÊNIA - Tropas do Azerbaijão e separatistas armênios intensificaram os confrontos nesta segunda-feira, 28, em Nagorno Karabakh. Após os embates, no final de semana, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, principal aliado do Azerbaijão, pediu que a Armênia se retire da região, o que aumentou os temores de uma escalada ainda maior. 

Desde domingo, os separatistas de Nagorno Karabakh, apoiados pela Armênia, e as tropas do Azerbaijão se enfrentaram nos confrontos mais mortais desde 2016. Nesta segunda, as autoridades de Nagorno Karabakh disseram que mais 26 separatistas armênios foram mortos em confrontos com as forças azeris – 84 rebeldes já morreram, segundo fontes oficiais. O número total de mortes subiu para 95, 11 deles civis: 9 no Azerbaijão e 2 armênios.

O Azerbaijão, um país de língua turca com maioria xiita, reivindica o controle de Nagorno Karabakh, uma província de maioria cristã, cuja separação, em 1991, não foi reconhecida pela comunidade internacional.

Uma guerra aberta entre Armênia e Azerbaijão pode desestabilizar o sul do Cáucaso, especialmente se Turquia e Rússia resolverem intervir. “A Turquia continuará a apoiar o país irmão e amigo que é o Azerbaijão por todos os meios”, disse Erdogan.

A Armênia apresentou ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos (CEDH), o braço jurídico do Conselho Europeu, um pedido para “o governo do Azerbaijão cessar seus ataques militares contra as populações civis”.

Já a comunidade internacional pede um cessar-fogo imediato. O Conselho de Segurança da ONU se reunirá hoje, a pedido da França e da Alemanha, para tratar do assunto, segundo fontes diplomáticas. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que a prioridade era “acabar com as hostilidades, não determinar quem está certo e quem está errado”.

Moscou, que mantém relações cordiais com os dois países e é considerada um árbitro regional, tem mais proximidade com a Armênia, que integra a Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), aliança militar dominada pela Rússia.

Armênia e Nagorno Karabakh, por sua vez, denunciam a “interferência” turca e acusam Ancara de fornecer armas, “especialistas militares”, pilotos de drones e aviões para Baku. A Armênia também afirmou que os turcos haviam destacado milhares de “mercenários” transferidos da Síria.

O Ministério da Defesa do Azerbaijão rejeitou as acusações, apontando que “mercenários etnicamente armênios” do Oriente Médio estavam lutando ao lado dos separatistas. O embaixador da Armênia na Rússia, Vardan Toganyan, disse que seu país não hesitaria em usar mísseis balísticos Iskander, fornecidos por Moscou, a Turquia usasses os F-16. O governo do Azerbaijão afirma ter matado 550 soldados inimigos. A Armênia garante ter eliminado mais de 200.

O primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan, acusou seu inimigo histórico de ter “declarado guerra ao povo armênio”, enquanto o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, prometeu “vencer” a guerra. O presidente da autoproclamada república de Nagorno Karabakh, Arayik Harutyunyan, disse que “a Turquia, não o Azerbaijão” está lutando contra os separatistas. “Existem helicópteros, F-16s, soldados e mercenários de diferentes países”, afirmou. 

O Conselho de Segurança da ONU convocou para terça-feira, 29, uma reunião a portas fechadas sobre Nagorno Karabakh, a pedido de países europeus, informaram fontes diplomáticas nesta segunda-feira. 

Alemanha e França impulsionaram essa reunião, mas outros países europeus - Estônia, Bélgica e Reino Unido - a apoiam, segundo as mesmas fontes. / AFP

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