Karen Minasyan/AFP
Karen Minasyan/AFP

Armênia e Azerbaijão retomam combates na fronteira

Países disputam região separatista Nagorno-Karabaj há duas décadas; confronto é o mais grave desde 2016

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2020 | 17h00

MOSCOU - Tropas da Armênia e do Azerbaijão voltaram a entrar em confronto nesta quinta-feira, 16, após um cessar-fogo de um dia - anunciaram os Ministérios da Defesa dos dois países, que se acusam mutuamente pela retomada da violência.

Os combates acontecem na fronteira norte, de acordo com os Ministérios. O confronto começou no domingo, 12, e prosseguiu por dois dias, registrando uma pausa ontem. Estes são os combates mais graves desde 2016 e ameaçam a estabilidade daquela região.

O Azerbaijão anunciou hoje a morte de um de seus soldados. Segundo o balanço oficial, 17 pessoas morreram desde domingo: 12 militares e um civil do Azerbaijão e quatro soldados da Armênia. Baku perdeu um general.

Em comunicados separados, os beligerantes disseram que há "combates em curso" nesta quinta. Os dois lados alegam terem respondido a um ataque.

Em conflito há duas décadas, Armênia e Azerbaijão respeitaram uma trégua entre a meia-noite de quarta-feira (17h no horário de Brasília) e a manhã desta quinta, após três dias de confrontos.

O Ministério armênio da Defesa afirmou que impediu uma "tentativa de infiltração do inimigo" e que, "após uma batalha intensa, o inimigo foi rejeitado". A Armênia indicou ainda que o confronto provocou perdas do lado do Azerbaijão.

Depois, acrescentou a Armênia, as forças do Azerbaijão começaram, por volta das 5h locais (23h no horário de Brasília), a "bombardear os povoados de Aygepar e Movses com morteiros e um obus D30".

O Ministério da Defesa do Azerbaijão acusou a Armênia de ter iniciado os combates. "Uma unidade das Forças Armadas da Armênia tentou novamente atacar nossas posições no distrito de Tovouz, na fronteira", afirma um comunicado.

Segundo o Ministério, as localidades de Аgdam, Donar Guchtchu e Vakhidli foram alvo de disparos de armas pesadas e de morteiros.

O Azerbaijão ameaçou hoje bombardear a única central nuclear da Armênia. Além disso, o presidente do país, Elma Mammadyarov, afastou seu chanceler, Elmar Mammadyarov, após criticar suas ações durante a crise atual. 

Janelas quebradas

Jornalistas da Agência France Press conseguiram acessar ontem algumas destas localidades em ambos os lados do front de combate.

Várias casas tinham suas janelas quebradas, ou os telhados deformados. Chain Abiiev, morador de Donar Guchtchu, no Azerbaijão, explicou que um obus caiu em seu jardim.

"Danificou as janelas, o telhado, o jardim e a porta de entrada. Por sorte, minha família não estava, ou teria sido uma tragédia", desabafa.

As duas ex-repúblicas soviéticas estão em conflito há décadas por Nagorno-Karabaj. Esta região separatista, que tem o apoio da Armênia, foi palco de uma guerra no início do anos 1990 que deixou 30.000 mortos.

Os confrontos recentes acontecem longe deste território, na fronteira norte entre os dois países do Cáucaso. Essa escalada faz temer um conflito aberto.

Rússia, uma potência regional, Estados Unidos e União Europeia (UE) pediram à Armênia e ao Azerbaijão que ponham fim ao conflito, enquanto a Turquia deu seu apoio ao Azerbaijão. /AFP

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