Armênios e turcos buscam aproximação

Governos procuram normalizar relações após 94 anos de disputas

Gustavo Chacra, ISTAMBUL, O Estadao de S.Paulo

16 de março de 2009 | 00h00

Apesar de o chanceler turco, Ali Babacan, ter afirmado que a Turquia e a Armênia "estão mais perto do que nunca da paz" após 94 anos de disputas, Ancara terá de enfrentar no fim de abril uma nova votação no Congresso americano sobre o reconhecimento do suposto genocídio cometido pelo Império Otomano contra os armênios durante a 1ª Guerra Mundial.Segundo Babacan, se os EUA aceitarem a reivindicação dos armênios da diáspora, o processo de paz será prejudicado. Até hoje, 21 países reconheceram os eventos do período como genocídio. A Turquia nega que estimados 1,5 milhão de armênios tenham sido mortos deliberadamente e outros milhões expulsos do território entre 1915 e 1923, alegando que houve mortes dos dois lados em consequência do conflito.Na Armênia, também em atitude de aproximação, o premiê Tigran Sargsian convidou a Turquia para ajudar na construção de um reator nuclear. Recentemente, o presidente turco, Abdullah Gul, visitou Yerevan, capital armênia, para assistir a uma partida de futebol entre as seleções nacionais dos dois países. E, apesar de a fronteira permanecer oficialmente fechada, há voos entre Istambul e Yerevan e uma linha de ônibus que sai da cidade turca de Trabzon, via Geórgia, até a Armênia.Embora a questão do genocídio continue causando divisões, não é ela o principal entrave às relações bilaterais. Os turcos romperam com os armênios de Yerevan quando eles invadiram a região de Nagorno Karabakh, no início da década de 1990. A Turquia diz que o território faz parte do Azerbaijão e exige que os armênios o devolvam - a relação com os azerbaijanos é fundamental para Ancara, e o governo não está disposto a sacrificá-la em nome de um acordo com Yerevan. Já para a Armênia, sob fortes efeitos da crise, a paz com os turcos se faz urgente. "É preciso abrir a fronteira com a Turquia para melhorar a economia", afirma Richard Giragosian, do Centro Armênio para Estudos Nacionais e Internacionais.

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