Armin Laschet, o herdeiro pouco querido de Merkel

Armin Laschet, o herdeiro pouco querido de Merkel

Líder regional terá de superar dois grandes obstáculos: convencer a opinião pública e restabelecer as deterioradas relações com a chanceler

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2021 | 20h00

BERLIM - Afável e com um sorriso tímido característico, Armin Laschet, eleito oficialmente candidato conservador para a chancelaria alemã nesta terça-feira, 20, quer se tornar o herdeiro da linha moderada e pró-europeia de Angela Merkel.

Mas, para isso, o líder regional terá de superar dois grandes obstáculos: convencer a opinião pública e restabelecer as relações com a chanceler, deterioradas por suas diferentes visões sobre como lidar com a pandemia do coronavírus.

Nesta terça-feira, Laschet, que presidia a União Democrática Cristã (CDU), partido de Merkel desde janeiro, conseguiu vencer Markus Söder, líder da pequena formação bávara CSU, após uma guerra interna intensa.

Assim, representará as esperanças dos conservadores alemães nas eleições de 26 de setembro, quando terá grandes chances de se tornar chanceler, mesmo que as intenções de voto para seu partido tenham despencado.

Na última pesquisa, publicada na sexta-feira, apenas 15% dos entrevistados consideraram que ele seria um bom candidato para substituir Merkel, em comparação com 45% das opiniões favoráveis a Söder.

Armin, o turco

Laschet é considerado um herdeiro natural de Merkel, que é claramente seu modelo político. O líder é um "entusiasta europeísta" e foi um dos poucos que apoiou sem reservas a chanceler em sua decisão de hospedar centenas de milhares de migrantes da Síria e do Afeganistão em 2015.

Suas convicções sobre este tema são antigas. Sua ampla política de integração quando foi ministro regional em 2005 lhe valeu o apelido de "Armin, o turco" dentro da CDU. A diversidade étnica não é "uma ameaça, mas um desafio e uma oportunidade", declarou ele em 2009.

Armin Laschet nasceu em fevereiro de 1961 em uma família modesta em Aachen, na região da Renânia do Norte-Vestfália, que ele lidera desde 2017. 

Seu pai era mineiro e conseguiu se tornar professor. "Ele me mostrou que vale a pena trabalhar, que a ascensão social é possível", contou em uma autobiografia.

Católico fervoroso, Laschet conheceu a mulher no coral da paróquia, estudou direito e trabalhou como jornalista antes de se lançar na política. O casal tem três filhos.

Após cinco anos no Bundestag (Parlamento), atuou como eurodeputado, entre 1999 e 2005, com especialização em política internacional e questões de segurança.

Indeciso

Embora muitas vezes as suas qualidades de conciliador se destaquem, a sua imagem de responsável "indeciso" e que por vezes age "sem pensar" cobra o seu preço, segundo a imprensa alemã.

Na primeira onda da pandemia, em março de 2020, Laschet rejeitou as medidas rígidas, mas mudou de ideia e impôs o primeiro confinamento local no país, após detectar um grande foco de infecções em um matadouro. E praticamente agiu da mesma forma um ano depois, quando a Alemanha entrou na terceira onda.

Além disso, Laschet foi alvo de acusações de nepotismo, quando seu governo regional comprou máscaras e equipamentos de proteção feitos por uma empresa têxtil local, que seu filho Johannes, um influencer de moda, havia anunciado em seu blog./AFP

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