Armínio fala sobre a Alca nos EUA

o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, aproveitou suas primeiras reuniões com os representantes da administração do presidente George W. Bush, nesta sexta-feira, para voltar à carga a respeito das pendências comerciais entre os dois países que entravam a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca)."Eu fiz questão de tocar nisso em todas as reuniões para sinalizar a nossa posição de esperar dos EUA uma resposta de liderança nessa área, que nos permita aproveitar o que é claramente hoje uma uma janela de oportunidade, não só a nível regional, mas também a nível global, na Organização Mundial de Comércio", afirmou Armínio, depois de encontrar-se com o secretário do Tesouro, Paul O, com o conselheiro econômico da Casa Branca, Lawrence Lindsey, e com o subsecretário de Estado para assunto econômicos, Alan Larson. As ponderações de Armínio Fraga acontecem apenas uma semana depois de o chanceler Celso Lafer ter dado a mais franca e completa explicação que já se ouviu em Washington sobre as razões da ambivalência brasileira em relação ao projeto de criação da Área de Livre Comércio das Américas, afirmando que o País quer ver as barreiras não-tarifárias dos Estados Unidos incluídas na pauta de negociações. "Pude dar o nosso recado, de que estamos prontos a trabalhar, mas que queremos uma negociação para valer, que inclua os temas de agricultura, anti-dumping e assim por diante", disse Fraga. O presidente do BC disse que ficou "muito bem impressionado com as respostas" que ouviu. "Nada disso é fácil, nós sabemos", comentou. "A meu ver, há uma clara disposição do governo (do presidente George W.) Bush de negociar para valer, e isso me deixa muito otimista", continuou, observando que suas conversas foram "interessantes porque nem eu sou negociador do lado brasileiro nem meus interlocutores são os negociadores do lado deles"."Nós no BC, tanto quanto eles na secretaria do Tesouro e na Casa Branca, queremos ver a coisa andar, mas tem que andar de forma equilibrada", disse Armínio. "Foi possível dar essa mensagem e colher um eco bom." A iniciativa do presidente do BC de reiterar a posição do País sobre a Alca em suas conversas com representantes do governo americano é significativa por mais de uma razão.Além de ser um dos integrantes do governo brasileiro que goza de elevado grau de credibilidade nos círculos oficiais e empresariais dos Estados Unidos, por causa dos resultados dos dois anos de sua gestão no Banco Central, Armínio é, sabidamente, um dos defensores da continuação do processo de liberalização da economia brasileira. Ao manifestar-se sobre o tema do comércio, nos termos em que o fez, ele ajuda a dissipar a percepção de que o Brasil faz corpo mole em relação à Alca, e coloca a discussão num novo patamar, no qual o ônus da criação de um ambiente favorável a uma negociação produtiva é compartilhado com os EUA.O momento da manifestação do presidente do BC é também importante, pois ocorre faltando menos de três semanas para a visita que o presidente Fernando Henrique Cardoso fará a Washington, no final deste mês, a convite de Bush. O encontro entre os dois líderes é visto por altos funcionários dos dois governos e por vários analistas como um evento crucial para a busca de um entendimento político necessário para que seus governos possam mobilizar o apoio interno e vencer as resistências à agenda da liberalização que existem em ambos os países.O representante de Comércio da Casa Branca, Robert Zoellick, deu um primeiro sinal positivo nessa direção, em seu primeiro depoimento ao Congresso, esta semana, indicando a disposição do governo republicano de incluir a questão do anti-dumping numa nova rodada global de negociações, na OMC.Perguntado sobre a percepção que O e Lindsey têm sobre o Brasil, Fraga disse que tem tido "a nítida impressão de que eles acompanham o Brasil menos de perto hoje do que acompanhavam durante a crise, o que é um bom sinal". A ausência de uma maior apreensão em relação ao País "deu-me uma chance de fazer um apanhado geral do que tem acontecido e sinto, quando ele ouvem um relato mais mais concreto de tudo o que foi feito, principalmente nos ultimos seis anos - todas as reformas, a mudança no padrão de produtividade, o que foi feito na área de educação - eles se impressionam muito", afirmou Armínio. "Quando a gente vai além do macro, gera uma reação muito positiva, que me diz que temos que continuar mostrando aquilo que tem sido feito".

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