Arquivado na Nigéria caso de fraude envolvendo brasileiro

Foi arquivado hoje na Nigéria o maior caso de fraude envolvendo ?pagamento adiantado? da história do país. Cinco nigerianos são acusados de persuadir o brasileiro Nelson Sakaguchi, levando-o a desviar US$ 242 milhões da empresa onde trabalhava, a Stanton Development Corporation, subsidiária do Banco Noroeste, no Brasil.Nelson teria transferido ilegalmente o dinheiro para contas em diversos países, seguindo orientações da quadrilha. De acordo com documentos apresentados pela promotoria, os nigerianos prometeram-lhe US$ 13,4 milhões de comissão por um contrato para construção de um aeroporto internacional em Abuja; desde que ele garantisse sua parte antecipadamente. Apesar de esse tipo de fraude ser bastante comum no país, o juiz Lawal Gumi, de Abuja, decidiu arquivar o processo, alegando não haver jurisdição para tal. O caso deverá ser levado à corte em Lagos, local do crime.O esquema envolvendo os cinco nigerianos ? Emmanuel Nwude, Amaka Anajemba, Nzeribe Okoli e outros dois ainda sem identificação ? vigorava desde 1995 e foi descoberto em fevereiro. Eles também são acusados de falsificação de documentos, pois tiveram de forjar papéis de diversos órgão federais do país para enviá-los a Sakaguchi.Depois do veredicto judicial, os acusados nigerianos foram soltos, mas imediatamente recapturados. Eles devem seguir para Laos, onde serão novamente julgados.Nelson Sakaguchi foi preso em Nova York, no aeroporto JFK, e foi despachado em seguida para a Suíça, onde deverá prestar contas pela abertura de contas bancárias como parte do esquema de fraude.Outro membro da gangue 419 (como são conhecidas essas quadrilhas no país), Ikechukwu Christian, morreu num acidente de carro em 1998. Ele havia se apresentado a Sakaguchi como presidente do Banco da Nigéria. Acredita-se que ele tenha sido assassinado.Os fraudadores costumam abordar suas vítimas por e-mail, prometendo-lhes grandes somas de dinheiro como parte de contratos mirabolantes, heranças de ditadores mortos e outras atividades ilícitas. Em troca, elas são persuadidas a pagar ?taxas de serviço? para que as somas milionárias atravessem fronteiras internacionais.Nos últimos anos, a Comissão de Crimes Financeiros e Econômicos da Nigéria tem processado inúmeros casos ?419?, na tentativa de melhorar a imagem do país entre os investidores estrangeiros. No entanto, ninguém foi condenado até agora; os juízes nigerianos são acusados de obstruir a Justiça por conta de protelações intermináveis e alegação de problemas de jurisdição.

Agencia Estado,

20 de julho de 2004 | 14h29

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