Arquivos da Stasi permanecerão fechados

Gravações secretas de conversações do ex-chanceler Helmut Kohl, realizadas pela polícia secreta da Alemanha Oriental durante a era comunista, continuarão sendo secretas, decidiu nesta sexta-feira um tribunal federal. A decisão é uma vitória na luta do ex-chanceler para evitar que sejam divulgadas 2.500 páginas de arquivos. O Tribunal Federal Administrativo rechaçou a apelação de uma funcionária encarregada do velho arquivo da agência de espionagem Stasi, Marianne Birthler, que pedia uma revisão após os juízes determinarem no ano passado que essas gravações podiam continuar sendo secretas porque Kohl foi vítima da polícia secreta comunista. O veredicto, que é final, terminou com dois anos de disputas em relação à lei que regulamenta o acesso aos arquivos, que foi aprovada pelo governo de Kohl pouco após a unificação das duas Alemanhas em 1990. A sentença de hoje significa que o arquivo não pode divulgar as gravações sem o consentimento expresso das pessoas envolvidas. Os jornalistas e historiadores haviam pedido acesso aos arquivos da Stasi para verem se teriam relação com um escândalo financeiro do Partido Democrata Cristão de Kohl, após a derrota eleitoral de 1998. Muitos arquivos de outros alemães proeminentes - principalmente ex-funcionários da ex-Alemanha Oriental - haviam sido publicados. Grupos de direitos humanos da ex-Alemanha comunista insistiam em que foram abertos para revelar a incessante espionagem praticada contra os próprios cidadãos alemães orientais pela odiada Stasi, além de muitos cidadãos do lado ocidental. Birthler, que foi ativista democrática durante o governo comunista, pediu ao Parlamento que reformule alguns itens da polêmica legislação para assegurar que os arquivos não fiquem permanentemente fechados.

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