Arruinada pela guerra, Serra Leoa apura votação, espera mudanças

Serra Leoa apura neste domingo osvotos de sua primeira eleição desde que as tropas de paz daOrganização das Nações Unidas deixaram o país há dois anos, emuma votação que a população espera irá acelerar a recuperaçãodo país após 11 anos de guerra civil. Nas ruas dilapidadas da capital Freetown, os leonesesdesesperados por mudanças se reuniam ao redor de rádios emlojas e quiosques para ouvir os resultados parciais da eleiçãopresidencial e parlamentar realizada no sábado. Os eleitores compareceram em massa às urnas, no que foiconsiderado um teste da estabilidade do país, cinco anos após ofim dos conflitos intensificados por diamantes e a mutilação decivis, algumas vezes por crianças drogadas que agiam comosoldados. Com cerca de 5 por cento dos votos apurados, resultadosnão-confirmados mostravam Ernest Bai Koroma, do partido daoposição Congresso de Todo o Povo (APC, na sigla em inglês),com vantagem confortável em Freetown e no norte da ex-colôniabritânica, que possui cerca de metade dos 2,6 milhões deeleitores do país. O candidato do partido no poder, Partido do Povo de SerraLeoa (SLPP), o vice-presidente Soloman Berewa, de 69 anos, temforte apoio nos redutos tradicionais do partido no sul do país. Se nenhum dos candidatos obtiver mais de 55 por cento dosvotos, um segundo turno será realizado em setembro. "Aparentemente nós vamos ter um segundo turno. SLPP nãoestá em vantagem no norte, mesmo na cidade natal dovice-presidente candidato", disse Ransford Wright, coordenadorda Rede de Rádio Independente. A Serra Leoa é a penúltima colocada na Índice deDesenvolvimento Humano da ONU. Com mais de 60 por cento dedesemprego, a maioria das pessoas sobrevive com menos de umdólar por dia. "A guerra desestabilizou tudo. Nós precisamos de liberdade,comida, água, eletricidade e empregos", disse Mohamed Ba,enquanto ouvia os resultados da apuração. "Mas eu não confionos políticos." O presidente Tejan Kabbah, reeleito em uma onda de euforiapós-guerra em 2002, está deixando o cargo em meio a denúnciasde corrupção, que muitos acreditam estar drenando a ajudaestrangeira. O país recebeu mais de 1,6 bilhão de dólares em ajudainternacional no ano passado. Observadores internacionais declararam sucesso narealização das eleições. A votação de sábado foi pacífica, comapenas pequenos incidentes em Freetown.

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