Arsenal do regime teria até 100 ogivas de gás letal

Unidade de armas químicas foi montada por militar dissidente russo e conta com versão avançada de míssil Scud

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2013 | 02h14

Na Síria, a morte é azul. É uma nuvem fina e clara que brilha na noite - e leva a morte até centenas de pessoas, sufocadas pelas feridas, pelo inchaço das mucosas, pelo colapso respiratório.

As armas químicas do arsenal do regime de Bashar Assad foram aperfeiçoadas; passaram a ter um comportamento sofisticado, o "decaimento limitado e controlado" - cobrem uma área determinada e perdem a capacidade intoxicante em poucos minutos. A devastação, todavia, está garantida, como comprovam as vítimas de Daraya, em abril e, de agora, em Kafr Batna. Os vestígios limitam-se a fragmentos.

No total, teriam sido mortas até 1,5 mil pessoas, entre idosos, crianças e adultos doentes, muitos dos quais pacientes internados em hospitais.

A perícia que os inspetores internacionais, recém-chegados à Síria, vão fazer, pode ser dificultada pelo uso do gás sarin, agente que provoca vômito incontrolável, lacrimejamento intenso e sensação de queimadura da pele. O antídoto, a atropina, precisa ser ministrado em poucos minutos. Isso raramente acontece garante George Sabra, da Coalizão Nacional, revelando que os estoques do país já estão esgotados. As doses remanescentes ficam em poder das Forças Armadas. Bashar Assad mantém um Comando Aeroestratégico dotado de muitas bombas e de até 100 ogivas de 700 quilos, armadas com gases.

O principal lançador é o Hwasong-6, uma versão modernizada pela Coreia do Norte do míssil Scud, produzido na União Soviética. A atual configuração tem sistema digital de navegação e alcance expandido, na faixa de 600 km. A unidade foi organizada pelo general dissidente russo Anatoli V. Kuntsevich, um ex-assessor de Vladimir Putin para assuntos de armas químicas e biológicas.

Kuntsevich responde, desde 2002, a um processo por contrabando de 600 quilos do agente multiplicador do gás VX2, que atua sobre o sistema nervoso central. O general Anatoli instalou um laboratório, na periferia da cidade de Alepo, para a produção de Iperita, o gás de mostarda, que produz úlceras e edemas na mucosa respiratória.

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