Arsenal paquistanês preocupa EUA

Maior temor da Casa Branca na atual crise é a tomada de poder e das armas atômicas por islâmicos radicais

Roberto Godoy, O Estadao de S.Paulo

29 de dezembro de 2007 | 00h00

O Paquistão mantém um temível arsenal nuclear, formado por um estoque de 48 a 55 ogivas e bombas de diversos tipos. É um recurso dissuasivo contra o inimigo clássico, a vizinha Índia, que pode mobilizar seus próprios 60 a 80 artefatos atômicos. Ambos os países realizaram testes de campo no final da década de 90. Essa capacidade de destruição preocupa os governos americano e britânico. Desde novembro de 2001 a administração do presidente George W. Bush, dos Estados Unidos, investiu US$ 100 milhões em dois programas secretos, destinados a proteger as armas estratégicas paquistanesas.Segundo o analista Daniel Markey, do Conselho de Relações Exteriores (CRE), "o medo maior nesse momento crítico é o da tomada do poder e do arsenal nuclear pelos islâmicos radicais, o que obrigaria os EUA a localizar e resguardar as instalações do programa - bases, laboratórios e depósitos".O dinheiro não comprou a informação completa, como queriam as agências de inteligência de Washington e Londres. Técnicos do Paquistão, entre os quais os assistentes do principal gestor do projeto de capacitação atômica local, o físico Abdul Khan - acusado de fornecer dados técnicos para movimentos terroristas como a Al-Qaeda -, receberam treinamento de controle e segurança. Em 2005, um centro de instrução em medidas de salvaguarda começou a ser construído perto da capital, Islamabad. Todavia, não foi completado."O general Musharraf garantiu aos Estados Unidos o controle do sistema, mas o fato é que nunca entregou o mapa do complexo atômico militar", explica Markey, um ex-funcionário do Departamento de Estado.O segundo programa é invasivo: prevê uma operação de forças especiais para isolar e preservar os depósitos onde fica o armamento - "ao menos o conhecido", pondera Daniel Markey.DÚVIDASHá incerteza quanto ao volume de urânio enriquecido produzido no Paquistão, que, para isso, utiliza a tecnologia da ultracentrifugação. O ciclo de explosões de teste realizado em 1998, nos dias 29 e 30 de maio, envolveu seis detonações bem-sucedidas e um só fracasso. O rendimento, de acordo com medições do Observatório Sismológico do Arizona, foi menor que o anunciado: o maior ensaio registrou potência de 9 a 12 kilotons, o equivalente à bomba lançada sobre Hiroshima, em 1945 - um kiloton é igual a mil toneladas de TNT - e o menor, de 4 a 6 kilotons. Para os paquistaneses a eficiência foi maior, variou de 25 a 36 kilotons.A inteligência militar americana gostaria de ter detalhes da adaptação feita em submarinos da classe Agosta90 (de tecnologia francesa, com deslocamento submerso de 1.760 toneladas, rebatizados Khalid) que permite o disparo de mísseis de desenvolvimento próprio com alcance de 100 a 300 km. Preparados para receber pequenas cargas nucleares, estão equipando, em conjuntos de quatro unidades, ao menos dois desses navios.

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