Kevin Lamarque / Reuters
Kevin Lamarque / Reuters

Autoridades de Nova York falam em 'ato de terror' e reforçarão segurança após pacotes encontrados

Casa Branca condenou 'atos terroristas'; escritórios de uma deputada democrata, da CNN e da Time Warner também foram esvaziados em razão de dispositivos suspeitos

O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2018 | 10h47
Atualizado 25 de outubro de 2018 | 13h25

NOVA YORK - O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, disse que os pacotes enviados nesta quarta-feira, 24, com explosivos na cidade foram "claramente um ato de terror, que tentam minar a liberdade dos veículos de imprensa", e por isso reforçará as medidas de segurança. De Blasio, o governador do Estado, Andrew Cuomo, e o comissário da polícia, James O'Neil, ofereceram uma entrevista coletiva em Columbus Circle, a poucos metros do edifício Time Warner, sede da CNN em Nova York.

Dois pacotes suspeitos foram encontrados entre as correspondências enviadas ao ex-presidente americano Barack Obama e à ex-secretária de Estado Hillary Clinton, informou o Serviço Secreto dos Estados Unidos nesta quarta-feira, 24. Mais tarde, os escritórios da emissora americana CNN e do conglomerado Time Warner, em Nova York, foram esvaziados em razão de pacotes suspeitos. As autoridades de Nova York transferiram na manhã desta quarta-feira o artefato para um centro de testes. Imagens transmitidas pela própria CNN exibiram o deslocamento do automóvel da polícia local com o provável artefato explosivo, cercado por uma caravana de veículos por questões segurança.

Horas depois, a polícia da Flórida informou que investiga um pacote suspeito enviado ao escritório da deputada democrata Debbie Wasserman Schultz, que também foi esvaziado. A polícia está investigando todos os relatos sobre os dispositivos.

O governador de Nova York, um democrata, anunciou também ter recebido um dispositivo suspeito em seu escritório em Manhattan. "O dispositivo enviado para o meu escritório foi identificado e está sendo tratado enquanto falamos". 

O governador, que é um crítico ferrenho do presidente Donald Trump e busca um terceiro mandato como chefe do executivo do quarto estado mais populoso do país, disse que "não ficará surpreso" se mais dispositivos forem descobertos.

Os dispositivos encontrados nas correspondências de Obama e Hillary são similares ao encontrado na segunda-feira na caixa de correio da residência do bilionário George Soros, segundo oficiais. Uma informação inicial dizia que a Casa Branca também havia recebido um pacote suspeito, mas uma fonte próxima das investigações nega o fato. 

Após os pacotes serem interceptados, Hillary disse que sua família está bem e que "são tempos perturbadores, um tempo de divisões profundas". O líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, condenou os atos que ele considerou de "terrorismo interno".

A administração Trump condenou o que chamou de "atos terroristas" e afirmou que tomará as medidas necessárias para "proteger qualquer um ameaçado por esses covardes". "Esses atos terroristas são desprezíveis", afirmou a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee. Segundo ela, o presidente está acompanhando a situação. 

Em um comunicado, o Serviço Secreto afirmou que "interceptou dois pacotes suspeitos enviados a protegidos" do órgão, "identificados como a sra. Clinton e o sr. Obama". "As embalagens foram imediatamente identificadas durante os procedimentos rotineiros de triagem de correspondências como dispositivos com potencial explosivo, e foram tratadas como tal", afirma a nota. "Os protegidos não chegaram a receber os pacotes e não correram o risco de recebê-los."

O Serviço Secreto disse ainda que "iniciou uma investigação criminal de escopo completo que alavancará todos os recursos federais, estaduais e locais disponíveis para determinar a origem dos pacotes e identificar os responsáveis". 

O primeiro artefato foi encontrado nesta manhã por um responsável por selecionar as correspondências enviadas à residência de Hillary e Bill Clinton no Condado de Westchester. O segundo, enviado a Obama, foi interceptado em Washington D.C. pela equipe do Serviço Secreto.

Outros pacotes suspeitos

Autoridades investigam nesta quarta-feira um pacote suspeito enviado ao escritório da deputada democrata Debbie Wasserman Schultz, em Sunrise, na Flórida. Outro pacote suspeito enviado ao ex-procurador-geral dos EUA Eric Holder foi interceptado. Segundo a AFP, o escritório de uma senadora democrata, em San Diego, foi esvaziado por pacotes suspeitos. A interceptação desses pacotes ocorre durante as campanhas para as eleições legislativas nos EUA.

O governador de Nova York, Andrew Cuomo, afirmou que seu escritório em Manhattan também recebeu e identificou um "dispositivo" suspeito de ser explosivo. Em uma coletiva de imprensa para informar sobre o pacote enviado à CNN, Cuomo afirmou que "não deveria surpreender se aparecessem mais dispositivos" após os casos de George Soros, Hillary Clinton e Barack Obama.

Na segunda-feira, um explosivo foi encontrado em uma caixa na residência de George Soros, localizada ao norte da cidade de Nova York. O artefato em questão, construído com um cano de 15 cm e pó explosivo, foi "prontamente detonado" por agentes da equipe de detecção de explosivos. Ainda não se sabe quem foram os responsáveis.

O magnata, um dos maiores doadores do mundo para grupos e causas progressistas, tornou-se uma figura de ódio para ativistas de direita nos EUA e no leste europeu, e alvo de uma campanha hostil do governo nacionalista em sua terra natal, a Hungria/ REUTERS e NYT


 

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