AFP PHOTO / EMMANUEL DUNAND
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Artigo: 60 Anos da União Europeia

O que quer que aconteça no futuro, bloco continuará promovendo paz, segurança internacional, cooperação para o desenvolvimento, os direitos humanos e a resposta às crises humanitárias

João Cravinho*, O Estado de S. Paulo

29 de março de 2017 | 16h48

Em 25 de março, a União Europeia comemorou o 60.º aniversário da assinatura dos Tratados de Roma, o primeiro passo rumo a uma Europa unida. Desde a criação das Comunidades Europeias em 1957, os cidadãos dos Estados-membros da União Europeia (UE) desfrutaram de seis décadas de paz, prosperidade e segurança sem precedentes. O contraste com a primeira metade do século 20 não poderia ser maior. Duas guerras catastróficas na Europa entre 1914 e 1945 provocaram a morte de milhões de pessoas e deixaram o continente devastado, dividido e prostrado. Com países que passaram tanto tempo em guerra, a integração europeia tem sido o projeto de paz mais bem sucedido da nossa história.

Apesar disso, estamos vivendo tempos imprevisíveis e o 60.º aniversário dos Tratados de Roma nos dá a oportunidade não só de reafirmar o nosso compromisso com os valores e objetivos em que se assenta o projeto europeu, mas também de seguir em frente de forma pragmática e ambiciosa.

Este ano também celebramos o décimo aniversário da parceria estratégica entre União Europeia e o Brasil. A UE e o Brasil compartilham uma relação da longa data baseada em fortes laços culturais, históricos e econômicos. A União Europeia é principal parceiro comercial e investidor no Brasil, e este ano esperamos ter a oitava cúpula com o País para fortalecer ainda mais as nossas relações.  

O mundo atravessa um período de enorme incerteza: o equilíbrio de poderes em nível mundial está mudando e são demasiadas vezes postos em causa os alicerces de uma ordem internacional assente em regras. A UE vai ser uma potência cada vez mais essencial para preservar e reforçar a ordem mundial.

A União Europeia é a segunda economia do mundo. É o maior mercado mundial e o principal investidor estrangeiro na maioria das regiões do planeta. Nós alcançamos uma posição forte agindo em conjunto e falando a uma só voz na cena mundial, desempenhando um papel decisivo na eliminação das barreiras comerciais como membro da Organização Mundial do Comércio (OMC), assim como negociando acordos comerciais bilaterais com parceiros importantes em todo o mundo, como por exemplo com os países de Mercosul. Esta posição permitiu às nossas empresas exportadoras prosperar e criar mais de 30 milhões de postos de trabalho.

A União Europeia é, e continuará a ser, uma potência forte, cooperante e confiável. Os nossos parceiros sabem o que defendemos. Defendemos o multilateralismo, os direitos humanos e a cooperação internacional. Defendemos o desenvolvimento sustentável, sociedades inclusivas, a luta contra todas as desigualdades - na educação, na democracia e nos direitos humanos. Para nós isto não é um ato de caridade: é uma forma inteligente de investir na nossa própria segurança e prosperidade.

A UE investe mais na cooperação para o desenvolvimento e na ajuda humanitária do que todo o resto do mundo. Somos o maior doador financeiro mundial da ajuda ao desenvolvimento. Tivemos um papel determinante na definição dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e já os estamos aplicando, e trabalhando no sentido de atualizar o Consenso Europeu sobre o Desenvolvimento. A ajuda ao desenvolvimento prestada pelo bloco chega a cerca de 150 países e no período 2014-2020, cerca de 75 % da nossa ajuda será concedida a países que são com frequência gravemente atingidos por catástrofes naturais ou conflitos, o que torna os seus cidadãos particularmente vulneráveis. 

efendemos melhores regras mundiais. Regras que protejam as pessoas contra abusos, que alarguem os direitos e elevem os padrões de referência. Foi graças ao nosso empenho que a comunidade internacional estabeleceu convênios inovadores como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o Acordo de Paris sobre mudanças climáticas e a Agenda de Ação de Adis Abeba em matéria de financiamento do desenvolvimento. Num mundo em que ressurgem as relações de força, a União Europeia terá um papel ainda mais significativo a desempenhar.

Um ambiente internacional mais frágil exige maior participação, o contrário do isolamento. É por esse motivo que continuamos a apoiar e ajudar as Nações Unidas: a nossa cooperação com a ONU inclui missões de paz, esforços diplomáticos, direitos humanos, a luta pela erradicação da fome e o combate à criminalidade.

Além disso, a UE está pronta a ajudar as pessoas afetadas por catástrofes naturais ou de origem humana. As crises humanitárias continuam a ter graves repercussões em nível internacional, e, em 2016, concedemos ajuda de emergência no valor de mais de € 1,5 bilhão para alimentos, abrigo, proteção e cuidados de saúde destinados a 120 milhões de pessoas em mais de 80 países. A UE tem sido, desde o início do conflito na Síria, em 2011, o maior doador de ajuda humanitária para cuidar dos milhões de homens, mulheres e crianças deslocados por este conflito.

O que quer que seja que o futuro nos reserve, uma coisa é certa: continuaremos a colocar a promoção da paz e da segurança internacional, a cooperação para o desenvolvimento, os direitos humanos e a resposta às crises humanitárias no cerne da sua política externa e da sua política de segurança.

* João Cravinho é embaixador da União Europeia no Brasil

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