Damir Sagolj/Reuters
Damir Sagolj/Reuters

Artigo: A redução da pobreza na China

Experiências da China para elevar o desenvolvimento vêm de práticas baseadas na realidade nacional, mas podem servir como referência para ações globais que visem a melhorar as condições de vida

Yang Wanmin*, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2021 | 15h49

Dezoito anos atrás, tive a oportunidade de trabalhar na província de Guizhou, no Sudoeste da China. Terra de diversidade étnica, paisagem exuberante e vida simples, Guizhou já era província com a maior população em situação de pobreza na China por causa do acesso dificultado pelas montanhas e da escassez de recursos. Após anos de esforços constantes, todos os 66 distritos pobres de Guizhou deixaram a situação precária em que viviam e 9,23 milhões de pessoas foram retiradas da pobreza.

Além disso, o crescimento econômico local figura entre os mais altos do país há dez anos consecutivos. Crianças que, para estudar, precisavam andar horas por trilhas na montanha agora têm escola perto de casa; os agricultores que viviam à mercê das condições naturais agora podem vender seus produtos diferenciados pela internet; vilarejos remotos agora são destinos de ecoturismo.

Poucos dias atrás, o presidente Xi Jinping declarou vitória completa da China no combate à pobreza. Segundo os critérios atuais, 98,99 milhões de camponeses se livraram da miséria, 832 distritos e 128 mil aldeias antes consideradas pobres deixaram essa lista, cumprindo uma árdua missão de erradicar a pobreza absoluta no país. As mudanças em Guizhou resumem o milagre da redução da pobreza criado por esta grande nação em desenvolvimento formada por 1,4 bilhão de habitantes.

Desde a fundação da República Popular, e sobretudo após a implementação da política de Reforma e Abertura, o governo chinês vem liderando um programa de grande escala para reduzir a pobreza de forma planejada e organizada. Como resultado, 770 milhões de chineses saíram da pobreza. De 2012 para cá, graças à firme determinação política e ao trabalho incessante de toda a sociedade, 10 milhões de pessoas foram retiradas da miséria a cada ano, o equivalente à população de um país de médio tamanho.

O ritmo de desenvolvimento das comunidades em situação de pobreza teve uma aceleração significativa. Nesse período, foram construídos 1,1 milhão de quilômetros de novas estradas na zona rural e a malha ferroviária cresceu em 35 mil quilômetros.

A confiabilidade das redes elétricas no campo chegou a 99%, mais de 98% das aldeias pobres já têm acesso à fibra óptica e ao 4G. Além disso, foi criado o maior sistema de seguridade social do mundo, que abrange aposentadoria, saúde, subsistência e moradia, fornecendo garantias regulares para que toda a população possa usufruir dos dividendos do desenvolvimento.

A pobreza é uma mazela persistente na sociedade humana. As experiências da China para reduzi-la vêm de práticas baseadas na realidade nacional, mas podem servir como referência para ações globais que visem a melhorar as condições de vida e proteger os direitos humanos. Diante do desafio imposto pela pandemia da covid-19, o governo chinês priorizou a luta contra a pobreza na agenda de governança, promoveu um desenvolvimento regional equilibrado através da tecnologia, da educação e da proteção ambiental, e adotou uma estratégia precisa e bem direcionada para acabar com a pobreza.

Com isso, o país cumpriu, com 10 anos de antecedência, a meta da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, respondendo, assim, por mais de 70% da redução global da miséria. Na avaliação do secretário-geral da ONU António Guterres, a China foi o país que mais contribuiu para a redução da pobreza mundial na última década.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) afirmou, num comunicado, que o povo chinês realizou o milagre de maior escala, maior duração e maior alcance populacional na redução da pobreza, e que esse feito traz uma contribuição significativa para o avanço da causa global e oferece inspiração para a maioria dos países em desenvolvimento.

O presidente Xi Jinping assinalou que a erradicação da pobreza continua sendo o maior desafio global da atualidade. Nesse sentido, a China está disposta a trabalhar com o Brasil e os demais países para contribuir com nosso conhecimento e força, com o objetivo de promover uma vida digna e os direitos humanos e construir uma comunidade de futuro compartilhado que se caracteriza pelo progresso comum.

*É Embaixador da China no Brasil

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