The White House/John F. Kennedy Presidential Library via The New York Times
The White House/John F. Kennedy Presidential Library via The New York Times

Artigo: Arquivos sobre morte de JFK são um tesouro 

Examinar os arquivos foi um pouco como explorar uma caixa de documentos armazenados aleatoriamente em um porão

Peter Baker Scott Shane* / The New York Times , O Estado de S.Paulo

28 Outubro 2017 | 05h00

Embora incompletos, os arquivos sobre a morte de John F. Kennedy são um tesouro para investigadores, historiadores e aficionados de teorias da conspiração que há meio século buscam pistas para saber o que realmente ocorreu em Dallas naquele dia fatídico de 1963. Eles abrangem conversas entre mafiosos, cubanos e espiões, suspeitas do Kremlin de que o presidente Lyndon Johnson, então vice de Kennedy, estava por trás do assassinato e mostram o temor das autoridades de que a sociedade não aceitasse a versão oficial.

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Examinar os arquivos foi um pouco como explorar uma caixa de documentos armazenados aleatoriamente em um porão. Fotos não muito nítidas mostram a vigilância da CIA nos anos 60; um registro de visitantes datado de dezembro de 1963, incluindo um oficial da CIA indo e vindo do rancho de Johnson no Texas; e um informe de que Lee Harvey Oswald obtivera munição de uma milícia de direita.

Alguns dos documentos traduzem parte do drama e do caos instaurado após o assassinato. Entre eles está um memorando enviado por J. Edgar Hoover, diretor do FBI, em 24 de novembro de 1963, logo depois de Jack Ruby atirar e matar Oswald quando era levado da delegacia de polícia para uma prisão local. “Não há nada mais sobre o caso Oswald, exceto que ele está morto”, começa o memorando laconicamente.

A divulgação dos documentos deve-se em grande parte ao cineasta Oliver Stone. Após seu filme JFK, de 1991, ter renovado o interesse pelo tema, o Congresso aprovou uma lei para liberar os arquivos em 25 anos, prazo que acabou na quinta-feira. Desde então, o Arquivo Nacional já liberou 88% dos documentos, 11% com partes editadas. Até quinta-feira, apenas 1% estava retido integralmente.

Dos 2.891 documentos divulgados na quinta-feira, apenas 53 jamais haviam sido revelados. O restante foi publicado com correções. Os documentos têm um amplo alcance. Um deles relata a reação da União Soviética ao assassinato, reportando que algumas pessoas em Moscou achavam que havia sido um “golpe” da extrema direita que colocaria a culpa em Moscou. Um informante, cujo nome não é mencionado, disse a espiões americanos que a KGB tinha provas de que “o presidente Johnson era o responsável”.

Um telegrama do FBI, de abril de 1964, reconstruiu a viagem de ônibus de Oswald para o México, semanas antes do assassinato, incluindo os nomes de pessoas sentadas ao lado dele e até mesmo como ele estava vestido: “uma camisa esporte colorida de manga curta e nenhum paletó”. 

No seu memorando, dois dias após a morte do presidente, Hoover se mostra preocupado, porque a morte de Oswald causaria desconfiança nos americanos. “O que me preocupa”, escreveu, “é ter uma explicação que convença o público de que Oswald é o real assassino”. Ele também temia que a descoberta de que Oswald havia contatado a Embaixada de Cuba no México e enviado uma carta à embaixada soviética em Washington poderia “complicar nossas relações exteriores”.

Hoover qualificou o assassinato de Oswald como “indesculpável” diante dos alertas dados à polícia de Dallas e fez alusão ao elo de Ruby com a máfia, o que causaria uma indústria de especulação. “Não temos informação sobre Ruby, embora existam rumores de atividades no submundo de Chicago”, escreveu.

Os documentos não acabarão com as especulações, e poucos acrescentam alguma coisa a mais. Por exemplo, em depoimento prestado em 1975, Richard Helms, ex-diretor da CIA, foi questionado: “Existe alguma informação relacionada ao assassinato que, de algum modo, mostra que Oswald era um agente da CIA, ou um agen...”. O documento acaba aí e a resposta de Helms foi omitida”. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

*SÃO JORNALISTAS

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