Artigo de revista revolta Clinton

Ex-presidente qualifica jornalista da ?Vanity Fair? de ?desprezível?

AP, Washington, O Estadao de S.Paulo

04 de junho de 2008 | 00h00

O ex-presidente Bill Clinton criticou ontem a imprensa e os aliados do senador Barack Obama por supostos ataques contra sua esposa, Hillary Clinton, que está prestes a encerrar sua candidatura à Casa Branca. O principal alvo de Clinton foi o jornalista Todd Purdum, que escreveu um artigo publicado domingo pela revista Vanity Fair o acusando-o de ter prejudicado a campanha de Hillary."Ele (Purdum) é um sujeito asqueroso e desprezível", disse Clinton. "Um repórter desonesto. Eu não li o artigo, mas pelo que me disseram, há pelo menos cinco ou seis mentiras nele." O ex-presidente não parou de atacar o jornalista nem quando lhe disseram que ele era casado com sua ex-porta-voz Dee Dee Myers. "Continua sendo um sujeito asqueroso e desprezível."No artigo, Purdum, um ex-correspondente da Casa branca do jornal New York Times, diz que alguns dos ex-assessores de Clinton - não identificados - lhe contaram que o ex-presidente rodeou-se de amigos que manchavam a sua reputação. Purdum escreve que Clinton, de acordo com assessores, vive cercado de mulheres e insinua até mesmo um caso com a atriz Gina Gershon. Ainda segundo as mesmas fontes, uma operação cardíaca, realizada em 2004, teria alterado a saúde mental do ex-presidente.Numa nota entregue por seu escritório, Clinton qualificou o artigo de "jornalismo de destruição pessoal da pior categoria" e destacou que era uma obra "sensacionalista" com várias entrevistas anônimas. "Ele (Purdum) não citou o nome de nenhuma fonte. Isto é nojento", afirmou o ex-presidente. O desarranjo verbal de Clinton não poupou nem mesmo Obama, rival de Hillary. "Isso é parte da tentativa da imprensa americana de acabar com a candidatura de Hillary e promover a de Obama. É a cobertura mais parcial de toda a história das eleições e uma maneira de ajudar Obama. Havia todas aquelas pessoas de pé na igreja, aplaudindo e chamando Hillary de branca racista e ele (Obama) não fez nada a respeito", declarou Clinton, que criticou os métodos do senador, que estaria recrutando outras pessoas para prejudicar Hillary.Jay Carson, porta-voz do ex-presidente, disse que Clinton ficou irritado com "o artigo ultrajante e injusto" da Vanity Fair, mas desculpou-se, admitindo que suas declarações foram "imprópias". Purdum defendeu-se. "Amigos e pessoas que acompanham Clinton continuam muito preocupados com as companhias escolhidas por ele", disse o jornalista num comunicado. "Nenhum ex-presidente jamais viajou carregando uma equipe permanente. E a maioria dos homens de 60 anos da geração de Clinton também não."

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