Jim Wilson/NYT
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Artigo: Eleição de 1988 é uma luz de esperança para Trump

Republicano George Bush estava atrás do democrata Michael Dukakis, mas venceu com uma campanha extremamente negativa

Adam Nagourney, The New York Times

23 de agosto de 2020 | 05h00

George Bush estava com problemas. Era julho de 1988 e Michael Dukakis, o candidato democrata, estava em alta após a convenção do partido. Uma pesquisa Gallup mostrou que Bush estava 17 pontos atrás. Mas ele tinha um roteiro para a vitória. 

Um mês antes, seus assessores se reuniram no Jefferson Hotel, em Washington, e decidiram levar adiante um plano, segundo Lee Atwater, chefe da campanha, “para arrancar o couro do pequeno bastardo”. Bush não apenas tirou a vantagem, mas venceu com folga: por 53% a 46%.

O episódio marcou a origem das campanhas negativas. Enquanto Donald Trump enfrenta déficits semelhantes em sua disputa contra Joe Biden, os republicanos olham para 1988 como uma luz de esperança em um cenário sombrio. Apesar das diferenças, o caso é uma lição de como a opinião pública pode mudar rapidamente. É fácil perceber uma linha direta entre os ataques de Bush, retratando Dukakis como um esquerdista radical, e a estratégia adota por Trump. 

Mas, se a disputa de 1988 serve de advertência aos democratas, existem algumas diferenças importantes. Biden é muito mais conhecido e resiliente do que Dukakis. Do outro lado, Trump é visto de forma desfavorável por grande parte dos eleitores, em grande parte em razão da pandemia. Sua falta de credibilidade mina sua capacidade de desferir um ataque.

Hoje, os EUA estão mais pessimistas do que quando Dukakis enfrentou Bush. Uma pesquisa New York Times-Siena College, de junho, revelou que 58% dos americanos dizem que o país está no caminho errado. No outono de 1988, o número de descontentes era de 46%. A diferença mais importante, porém, é que Biden vem respondendo aos ataques de Trump – coisa que Dukakis não fez com Bush. 

Uma das lições de 1988 é que muitos eleitores só começam a prestar atenção na campanha no fim de setembro. “O ponto da virada foi a convenção”, disse Janet Mullins Grissom, vice-diretora da campanha de Bush. “Foi nossa primeira oportunidade real de defini-lo sem filtros.”

O plano para derrubar Dukakis foi telegrafado no discurso de aceitação de Bush, que listou todas as posições radicais assumidas por Dukakis que seus assessores revisaram no quarto de hotel em Washington, tornando o democrata uma “ameaça à classe média”.

Para a campanha de Trump, as lições de 1988 parecem ter sido absorvidas. Embora o caminho do presidente pareça mais tortuoso, há uma série de atalhos que ele pode tomar para repetir o feito de Bush. Trump vem retratando Biden como um prisioneiro da esquerda, está demonizando Kamala Harris e se aproveitando de episódios de agitação social em lugares como Chicago. O tempo, no entanto, está se esgotando. 

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