AP Photo/Kayhan Ozer Presidential Press Service
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Artigo: Governo e povo turco caminham lado a lado após tentativa de golpe

Um retrato de brutalidade e traição que tomou a vida de 250 cidadãos turcos e feriu mais de 2 mil pessoas

Serkan Gedik* , O Estado de S.Paulo

15 Julho 2017 | 19h18

A noite de 15 de julho de 2016 não se tratou de um típico golpe militar. Após os primeiros aviões de combate que voaram sobre Ancara e Istambul, foi possível entender que se tratava de uma manobra dos discípulos de Fethullah Gülen, o homem que se denomina "Imã do Universo". E foi o pior ato de terror na história da república turca: uso de armas militares letais contra civis inocentes e militares que se recusaram a participar desse movimento. Um retrato de brutalidade e traição que tomou a vida de 250 cidadãos turcos e feriu mais de 2 mil pessoas.

Ao mesmo tempo, aquela noite foi a prova de força e perseverança da democracia turca e do Estado. É motivo de orgulho ter superado esse momento tão desafiador. 

Todos os partidos políticos, tanto no governo como na oposição, os elementos das Forças Armadas não envolvidos, a polícia e a mídia se posicionaram contra os golpistas. Mas, acima de tudo, foi a população da Turquia, de todos os setores e orientações políticas que resistiram e mostraram um exemplo histórico de solidariedade ao se posicionarem corajosamente na frente dos tanques e reivindicarem direitos democráticos.

Agora, depois de um ano de administração extensiva, investigações criminais e judiciais, acreditamos termos uma melhor compreensão do que aconteceu em 15 de julho e o autor por trás disso. Há 78 processos judiciais em andamento em 23 províncias com respeito aos autores. Os promotores públicos reuniram evidências cruciais apontando para uma inequívoca marca da FETO, organização liderada por Fethullah Gülen, por trás da tentativa de golpe.

A propósito, a FETO não é um movimento de educação cívica benevolente como alguns círculos tentam retratar. Seria um grande erro de caracterização pensar que Gülen é meramente um acadêmico islâmico pacifista e clérigo. O grupo é, em verdade, uma empresa global e com aspirações globais de poder e dominância, e presente em mais de 150 países ao redor do mundo, por meio de escolas, ONGs, lobistas e empresas, incluindo no Brasil. O que aconteceu na Turquia há um ano é um alerta do que essa organização pode ser capaz de fazer.

O governo turco está comprometido a reforçar suas credenciais democráticas, porque se compreendeu essa como a única maneira de combater o terrorismo e todas as suas formas e manifestações. A Turquia combate tais inimigos da democracia por meio da democracia e segue os dias em cooperação e espírito de diálogo construtivo com mecanismos internacionais relevantes, incluindo o conselho da Europa, Nações unidas e a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

Nestes tempos críticos, a Turquia precisa do apoio e encorajamento de outros países. O governo legitimamente toma medidas proporcionais e necessárias para suprimir e, por fim, derrotar essa iminente ameaça. 

*Cônsul-geral da Turquia em São Paulo

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