EFE/Nathalie Sayago
EFE/Nathalie Sayago

Artigo: Oposição a Maduro vive teste crucial

Algumas vozes dissidentes venezuelanas pressionam a oposição a acelerar a criação do que seria basicamente um governo paralelo

Anthony Faiola / The Washington Post , O Estado de S.Paulo

01 Agosto 2017 | 05h00

Para os críticos do chavismo, este é um momento crucial para a democracia venezuelana, que está próxima de uma ditadura. Mas, depois da realização no domingo de uma eleição convocada pelo governo socialista e amplamente condenada interna e externamente, a oposição no instável país sul-americano se defronta com uma questão existencial: E agora?

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, afirmou que propôs a Assembleia Constituinte para o país voltar a ter paz depois de quatro meses de manifestações, muitas vezes violentas, em protesto pelo colapso da economia e o crescente autoritarismo dos chavistas. A Constituinte tem poderes extraordinários para reformular as leis e o governo do país.

A pressão internacional sobre Maduro já começou a aumentar, com o governo de Donald Trump condenando a votação e adotando novas sanções contra o líder. Países latino-americanos como Brasil, Argentina e Panamá também declararam a eleição da Constituinte ilegítima.

Mas a grande dúvida é se a oposição conseguirá manter a pressão contra o governo. Em resumo, com mais de cem mortos e milhares de pessoas detidas nas manifestações, alguns hoje estão cansados e ainda mais apavorados.

Os líderes da oposição enfrentam o próprio teste de confiança da população após a votação de domingo.

Muita gente reconhece que a oposição desafiou corajosamente um regime repressivo. Mas num momento em que o governo socialista sinaliza com uma administração ainda mais radical, alguns venezuelanos temem que nenhum líder de oposição surja como um adversário óbvio do presidente Maduro. E, ao que parece, dentro da oposição até agora não existe nenhum acordo sobre qual a melhor tática a ser adotada após a eleição da Constituinte. Na verdade, todas as opções implicam riscos.

Algumas vozes dissidentes venezuelanas pressionam a oposição a acelerar a criação do que seria basicamente um governo paralelo. No dia 16, a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) realizou uma votação informal na qual 7,6 milhões de pessoas rejeitaram a criação da nova Assembleia Constituinte. Após essa votação, os líderes da oposição anunciaram que criariam o “próprio governo de unidade nacional”.

Mas a medida mais importante adotada nessa direção foi a seleção de novos magistrados para fazer frente à autoridade do atual Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), pró-governo, o que resultou na prisão de três juízes e levou outros a se esconderem.

Algumas pessoas alegam que a instituição de um governo paralelo vai encorajar uma ação internacional mais dura, isolando diplomaticamente o presidente chavista. Outros, contudo, afirmam que tal medida vai polarizar ainda mais o país e desencadear nova repressão por parte do governo, além de provocar uma nova onda de prisões politicamente motivadas.

E há também um risco de crescimento de uma facção mais violenta dentro da oposição, o que pode degenerar o movimento. Jovens e mulheres mascarados têm enfrentado as forças de segurança do governo com pedras e coquetéis molotov. Mas no domingo a violência extrapolou, com explosivos lançados por jovens manifestantes contra um comboio das forças do governo. Um jovem foi fotografado atirando com uma arma de fogo.

Pelo Twitter, um usuário venezuelano (@bienlechuga) repercutiu as frustrações de muitos opositores do governo, exigindo uma ação mais radical.

“A guerra não nos oferecerá o melhor resultado, mas pode nos colocar em melhor situação nesse jogo”, escreveu. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

É JORNALISTA

 

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