REUTERS/Mark Kauzlarich
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Artigo: Para esquerda, Hillary foi longe demais

Críticos afirmam que candidata democrata extrapola ao ‘cortejar’ republicanos para ter apoio contra Trump

DAVID WEIGEL* / THE WASHINGTON POST, O Estado de S. Paulo

13 Agosto 2016 | 05h00

Muitos republicanos vêm dizendo aos eleitores que a presidência sob Hillary Clinton será mais segura do que sob Donald Trump. E a equipe da candidata começa a pesquisar se ex-secretários de Estado, como Henry Kissinger, podem apoiá-la.

Isso, advertem os liberais, é ir longe demais e cria a percepção de que, depois de uma primária disputada, ela retomou velhas atitudes beligerantes, aceitando progressistas para se garantir. No The Nation, Greg Grandin escreveu: “Kissinger é um monstro singular. Não é um baluarte contra a temida imoralidade e insensatez de Donald Trump”. Isaac Chotiner, do Slate, disse: “Hillary precisa ter o bom senso que será exigido dela no cargo. A perspectiva de Kissinger ter influência na Casa Branca é assustadora”.

Esses progressistas se opuseram às decisões no campo da segurança nacional tomadas por Hillary no Senado e no Departamento de Estado. E entendem que as dúvidas sobre ela não foram dissipadas nas primárias, por isto muitos apoiaram o senador Bernie Sanders. “Acho engraçada a maneira como democratas que outrora consideravam essas pessoas abomináveis e agora as cortejam como armas úteis em sua gloriosa batalha contra Trump”, disse Doug Henwood, jornalista que defende que os progressistas não devem confiar em Hillary. 

Como primeira dama, Hillary era vista pelos republicanos como a mais liberal de uma família política perigosamente de esquerda. Mas, como política, ela teve inúmeras divergências com os progressistas, começando com o voto, em 2002, autorizando a intervenção militar no Iraque. Sua derrota nas primárias presidenciais de 2008 foi comemorada pelos democratas pacifistas.

Noam Chomsky, intelectual de esquerda que há décadas critica as intervenções de política externa de Kissinger, disse que faz sentido eleitores se unirem contra Trump. “Não gosto disso, mas não posso vacilar, porque a alternativa é muitíssimo pior, mesmo no caso dos apoios. Não vejo a importância de neoconservadores apoiarem Hillary, eles provavelmente o fazem não porque gostam dela, mas por estarem preocupados com Trump”. O que os críticos não sabem é como os apoios entre dois partidos diferentes afetariam um governo Clinton. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO 

*É JORNALISTA

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