Artigo: Por telefone, Dilma conversará amanhã com Evo sobre a fuga

A presidente Dilma Rousseff pretende conversar por telefone amanhã com o presidente da Bolívia, Evo Morales. Dilma queria ligar hoje, mas a agenda apertada, que incluiu ida ao Congresso e viagem a Belo Horizonte, não permitiu que os dois se falassem. A ideia é que seja uma ligação rápida para informar as providências tomadas em relação à fuga do senador Roger Pinto. Dilma e Evo se encontrarão na sexta-feira, na reunião da Unasul, em Paramaribo. Até agora, porém, não está prevista nenhuma reunião bilateral.

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2013 | 02h03

No dia 22 de fevereiro, Dilma teve uma longa reunião com o presidente da Bolívia, em Malabo, capital da Guiné Equatorial, onde ambos participavam da III Cúpula América do Sul-África. Depois de discutirem a situação dos corintianos presos dois dias antes, em Oruro, os dois entraram em outro problema bilateral: a presença, desde maio do ano passado, do senador opositor na Embaixada do Brasil em La Paz. Na conversa, a presidente reagiu com veemência a uma proposta de Evo, considerando-a "descabida". O presidente boliviano disse a Dilma que faria "vista grossa" se o senador deixasse a embaixada "escondido" e seguisse por terra em carro até a fronteira brasileira.

Dilma avisou que não admitiria isso, porque ele era um asilado político e o governo brasileiro tinha responsabilidade sobre sua integridade física. Portanto, o Brasil seria responsabilizado por qualquer coisa que ocorresse a ele. Dilma avisou que o senador só deixaria a embaixada com salvo-conduto do governo da Bolívia, que ela aguardava o quanto antes.

Seis meses depois, o embaixador interino do Brasil em La Paz, Eduardo Saboia comandou exatamente a operação de fuga sugerida pelo presidente boliviano e descartada por completo por Dilma. Esse é o motivo maior da fúria da presidente. Ela considera que o diplomata não quebrou simplesmente a hierarquia ao agir sem consultar o seu superior, o então ministro Antonio Patriota, demitido na segunda-feira. Saboia desobedeceu uma ordem expressa da presidente.

A presidente não estava irritada apenas com Saboia. Estava inconformada também com o comportamento de Patriota em um caso que já se arrastava há 15 meses e com o embaixador do Brasil na Bolívia, Marcel Biato, responsável por esse problema. No Planalto, havia uma dúvida se Biato viajou para dar brecha a Saboia agir ou se Saboia agiu por conta própria.

Biato teria "combinado" com senador boliviano o asilo dele na embaixada, aceitando recebê-lo sem pedir autorização a ela ou a Patriota. Diante do "fato consumado", Dilma aceitou a situação, mas avisou que exigia que o senador se comportasse como asilado político. O governo queria evitar um novo caso de Manuel Zelaya, presidente deposto de Honduras, que ficou quatro meses na embaixada brasileira dando entrevistas e criando um governo paralelo. Dilma mandou avisar ao senador que ele não deveria dar entrevistas, só receberia a mulher e teria de cumprir todas as regras do asilo até que recebesse o salvo-conduto.

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