REUTERS/Thomas Peter
REUTERS/Thomas Peter

Artigo: a farsa política dos EUA sobre as origens da covid-19 na China

É aos cientistas do mundo inteiro, e somente a eles, que cabe chegar a conclusões científicas fundamentadas em fatos e evidências

Yang Wanming, Embaixador da China no Brasil, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2021 | 17h15

 

O suposto relatório sobre as origens da covid-19 divulgado recentemente pela comunidade de inteligência dos EUA ignora os resultados idôneos alcançados pela equipe de estudo conjunta, acusa a China, sem qualquer fundamento, de obstruir as pesquisas e, em conchavo com outras partes envolvidas, tenta pressionar a China. Trata-se de um relatório mentiroso compilado para fins políticos, sem qualquer base científica ou credibilidade. Seu objetivo é utilizar o rastreio das origens do vírus para fazer manipulações políticas, jogar a culpa na China e fugir das suas próprias responsabilidades.

O rastreio das origens do vírus por agências de inteligência é, na essência, um ato politizado. Investigar a origem de um vírus é uma questão científica complexa. Portanto, é aos cientistas do mundo inteiro, e somente a eles, que cabe chegar a conclusões científicas fundamentadas em fatos e evidências.

Os serviços secretos norte-americanos têm um histórico questionável. Foram eles que justificaram a invasão ao Iraque com uma “prova” que não passava de uma amostra de sabão em pó e forjaram um vídeo para defender seus ataques aéreos à Síria. Depender da comunidade de inteligência tão desacreditada para produzir essa mixórdia de pretensas evidências baseadas em conclusões predeterminadas é uma prova que, por si só, demonstra como os EUA politizam o rastreamento das origens do vírus.

Mas qual é o propósito dessa politização? Os EUA são o país que mais espalhou o vírus ao mundo e que apresenta mais suspeitas no rastreio do vírus. Sem um controle eficaz de viagens internacionais, os EUA ainda repatriaram grande número de imigrantes ilegais infectados com a covid-19, agravando a situação epidêmica em muitos países latino-americanos. Cada vez mais provas científicas indicam que as infecções pelo novo coronavírus em pelo menos cinco estados americanos aconteceram muito antes dos primeiros casos registrados no país.

O lado norte-americano está tão ocupado em culpar a China e fugir da responsabilidade, que tem se recusado a responder às dúvidas razoáveis sobre o laboratório de Fort Detrick e as mais de 200 bases ultramarinas para experimentos biológicos, assim como ao péssimo histórico de segurança nas pesquisas sobre coronavírus na Universidade da Carolina do Norte (UNC). Se os EUA insistem na hipótese de vazamento laboratorial, devem convidar especialistas da OMS para investigar Fort Detrick e a UNC. Não é certo difamar uma outra parte enquanto fecha os olhos para a situação no seu próprio.

Desde o início da pandemia, a China atribui grande importância ao rastreio das origens do novo coronavírus e tem participado ativamente da cooperação internacional. Seguindo os princípios da ciência, abertura e transparência, a China convidou duas vezes especialistas da OMS para a China para pesquisas de rastreamento das origens. O relatório do estudo conjunto China-OMS, publicado no início do ano, apresenta conclusões confiáveis, profissionais e baseadas na ciência. Este é uma boa base para a cooperação global sobre o rastreio das origens, e recebe amplo reconhecimento da comunidade internacional. Atualmente, mais de 80 países manifestaram objeção às tentativas de politização e convocaram para que o Relatório Conjunto da Equipe de Estudo Conjunto OMS-China seja mantido. Mais de 300 partidos políticos, organizações sociais e think tanks de mais de 100 países e territórios apresentaram uma declaração conjunta à OMS manifestando oposição à politização do rastreio das origens. São apelos por justiça em resposta às ações norte-americanas que envenenam a atmosfera para a cooperação internacional em matéria de rastreio das origens e minam a solidariedade global contra a pandemia.

Diante do avanço da pandemia no mundo, politizar o rastreio das origens do vírus não leva a lugar nenhum e é imperativo unir forças para o enfrentamento à pandemia. A China continuará a apoiar e participar das investigações sobre a origem do vírus, refutando qualquer tentativa de politizar o assunto e estigmatizar o vírus. Em consideração à vida e à saúde de sua população e de toda a humanidade, os EUA devem voltar ao caminho certo do rastreio baseado na ciência e da cooperação face à pandemia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.