EFE/Felipe Chacón
EFE/Felipe Chacón

Artista plástico cria instalação para homenagear vítimas do massacre em Orlando

Chad Michael Morissette criou no telhado de sua casa a obra "No One Is Safe", em que se dedicou a colocar os manequins em diferentes posições que representam cada um dos 50 mortos no ataque, incluindo o atirador

O Estado de S. Paulo

16 Junho 2016 | 09h10

LOS ANGELES - Uma instalação com 50 manequins amontoados sobre o telhado de uma casa na área de West Hollywood, nos Estados Unidos, pretende lembrar os moradores da cidade californiana que presenciou o massacre ocorrido no domingo em Orlando, na Flórida, em uma casa noturna frequentada pelo público LGBT.

O artista plástico Chad Michael Morissette, de 36 anos, criou a dramática instalação no telhado de sua casa e a chamou de "No One Is Safe" ("Ninguém está a salvo"), para lembrar o ataque à boate, em que um atirador matou 49 pessoas e feriu outras 53.

"Acredito que os americanos precisam reagir, porque nos tornamos complacentes e esta situação fica cada vez maior, mais severa e mais horrível. Quero mostrar os corpos porque assim não podemos ignorá-los", explicou o artista.

Por mais de quatro horas, ele se dedicou a colocar os manequins em diferentes posições que representam cada um dos 50 mortos, incluindo o atirador, o americano de origem afegã Omar Mateen, que morreu durante o confronto com a polícia.

"Estava comemorando meu aniversário quando aconteceu a tragédia de Orlando e senti a necessidade de fazer uma declaração. Meus amigos me ajudaram a subir os manequins e a cada instante tínhamos que contá-los várias vezes e pensávamos: Até agora são 10? Até agora são 35? Deus! Ainda faltam mais. Chorei todo o dia", lembrou Morissette.

A cena pode ser vista da Avenida Fountain, uma via muito transitada ao oeste de Hollywood. A área se distingue pela defesa da comunidade LGBT.

Ao contrário de seus outros trabalhos, Morissette usou os manequins com rostos e corpos danificados. Alguns têm seus dedos e braços quebrados. "Eu trabalho com manequins e por isso soube que esta mensagem seria tão poderosa, mas quando reúne 50 para este propósito não é nada divertido", ressaltou.

A obra chamou a atenção da comunidade que chegou até o local para fazer fotografias e, de alguma maneira, solidarizar-se com as vítimas da tragédia.

"Foi um ataque de ódio feito no país onde supostamente os homossexuais estão mais seguros. As pessoas têm que entender que foi um ataque duplo, às pessoas e à liberdade de escolha", advertiu Martin Ortiz, um imigrante que chegou para conhecer a instalação.

"Não sei quando vou a remover a instalação, da mesma maneira que não previ quando a criaria. Neste momento todos estamos processando este evento, então é importante reconhecer nossa indignação. A instalação seguirá em meu telhado se sua mensagem continuar sendo válida", concluiu Morissette. /EFE

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