Tim Shortt/Florida Today via AP
Tim Shortt/Florida Today via AP

Árvore genealógica ajuda polícia dos EUA a localizar estuprador em série dos anos 80 

Amostra de DNA do filho do suspeito foi enviada para um banco de dados e policiais identificaram correspondência familiar com amostras coletadas nos anos 80

Michael Levenson / The New York Times, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2020 | 23h02

Por anos, ele aterrorizou o sul da Flórida, esgueirando-se nas casas das mulheres, atacando-as com um objeto pontiagudo e depois estuprando-as enquanto cobria seus rostos com uma fronha de travesseiro. Apelidado de "o estuprador de fronhas", ele era suspeito de agredir sexualmente 45 mulheres na década de 80 e foi alvo de uma extensa caçada humana. A polícia designou 50 investigadores para o caso, distribuiu folhetos com esboços de sua face e até contratou um escultor para criar um busto.

A polícia perseguiu mais de mil pistas, mas a trilha se perdeu e uma força-tarefa dedicada à captura do estuprador foi dissolvida em 1987. Nesta quinta-feira, 23, mais de três décadas depois, a polícia disse que finalmente havia encontrado um suspeito.

As autoridades disseram que o suspeito, Robert Eugene Koehler, um criminoso sexual de 60 anos, foi preso no sábado em sua casa em Palm Bay, na Flórida, a cerca de uma hora de carro de Orlando. Ele recebeu duas acusações de agressão sexual utilizando uma arma mortal. Em um dos estupros, que as autoridades dizem que ele cometeu em 28 de dezembro de 1983, uma mulher de 25 anos foi esfaqueada com um objeto afiado e estuprada em sua casa no Condado de Miami-Dade.

Katherine Fernandez Rundle, a procuradora estadual de Miami-Dade, disse em uma entrevista coletiva nesta quinta-feira, 23, que uma amostra de DNA colhida de Koehler o ligou a outras 24 agressões sexuais daquela época.

A grande pista da polícia ocorreu no ano passado, disse Rundle, quando o filho de Koehler foi preso por uma acusação de violência doméstica. Uma amostra de DNA recolhida do rapaz foi enviada para um banco de dados criminal. Essa amostra, disse ela, proporcionou uma correspondência familiar próxima com as amostras coletadas do estuprador nos anos 80.

Polícia encontrou souvenirs dos crimes

Laura Adams, promotora do condado, disse que quando a polícia revistou a casa de Koehler, eles encontraram vários cofres escondidos com jóias de mulheres e uma lixa de unha de metal embrulhada em papel. Ela disse que os investigadores acreditam que Koehler pode ter mantido os itens como lembranças de seus crimes.

Adams disse que os investigadores também encontraram um "cativeiro em andamento" que Koehler estava construindo sob a casa. "Se não o tivéssemos sob custódia, ele poderia ter praticado algo ainda pior do que executou com todas essas mulheres nesses casos", disse Adams na entrevista coletiva.

Ligações e e-mails para o escritório do defensor público de Miami-Dade, que representou Koehler em uma audiência nesta quinta-feira em que lhe foi negada a fiança, não foram imediatamente respondidos.

Os investigadores designados para o caso dizem que o estuprador perseguiu metodicamente suas vítimas de maio de 1981 a fevereiro de 1986 - geralmente mulheres jovens que moravam sozinhas, embora uma das vítimas tivesse 82 anos."Ele aterrorizou - literalmente aterrorizou - mulheres do sul da Flórida", disse Rundle.

Em 1991, Koehler foi condenado por agressão sexual no Condado de Palm Beach, na Flórida, e foi obrigado a se registrar como agressor sexual.

"Mas a condenação antecedeu a coleta obrigatória de amostras de DNA de criminosos, de modo que o DNA de Koehler não foi inserido em um banco de dados criminal e ele conseguiu evitar ser pego durante todas essas décadas", disse Rundle.

Depois que o filho de Koehler foi preso no ano passado, levando à conexão familiar, a polícia colocou Koehler sob vigilância.

Os investigadores seguiram Koehler até uma mercearia, onde coletaram seu DNA de um carrinho de compras e de uma maçaneta da porta. Essas amostras forneceram uma correspondência preliminar ao ataque sexual de 1983 à mulher de 25 anos e ajudaram a levar a polícia a prender Koehler em sua casa, no sábado.

As autoridades, armadas com um mandado de busca, coletaram uma amostra de DNA mais completa da boca de Koehler, que o ligava a outros 24 casos de agressão sexual nos anos 80, disse Rundle.

O trabalho de detetive forense mostrou que a polícia "nunca se esqueceu, nunca abandonou e nunca desistiu deste caso", disse Rundle. "Espero e rezo para que, com essa prisão e a acusação de Robert Koehler, as vítimas desses terríveis crimes finalmente tenham um senso de justiça e encontrem um pouco de paz", acrescentou.

Edna Buchanan, ex-repórter do Miami Herald, que cobriu a investigação com tenacidade particular, disse em entrevista na quinta-feira que estava feliz por haver uma prisão e se perguntou se isso levaria mais vítimas a se apresentar.

"Eu só queria que isso acontecesse anos e anos antes", disse Buchanan, que recebeu o Prêmio Pulitzer em 1986 por sua cobertura policial no The Herald. "Naquela época, muitas mulheres não denunciavam um estupro por causa da maneira como eram tratadas." / NYT

 

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