Erica Canepa / Bloomberg
Erica Canepa / Bloomberg

As 17 investigações que envolvem o presidente dos EUA, Donald Trump

Apesar de a investigação do procurador especial Robert Mueller não ter encontrado indícios de conluio da campanha do republicano com a Rússia, o magnata e pessoas muito próximas a ele são o foco de mais de uma dúzia de outros casos

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2019 | 15h32

Apesar de o procurador especial Robert Mueller não ter encontrado evidências de conluio da campanha do presidente Donald Trump com a Rússia, o relatório produzido após quase dois anos de trabalho também não isentou o republicano da acusação de obstrução de Justiça neste caso.

Além disso, o presidente americano ou pessoas muito próximas a ele são parte em pelo menos 17 investigações tanto na esfera federal, quanto na estadual e na municipal. 

Saiba mais sobre cada uma dessas investigações de acordo com informações compiladas pela revista americana Wired e corroboradas pelo site especializado em política Axios e pelo Busines Insider:

- Investigações pelo procurador especial:

1. Ataque da Rússia à eleição americana

A investigação mais famosa de Robert Mueller, na qual o procurador tenta esclarecer o possível ataque da Rússia à eleição presidencial americana de 2016, que incluiu invasões cibernéticas,  roubo de dados pela unidade de inteligência militar GRU e tentativas de atacar o sistema de votação, além de operações para influenciar eleitores conduzidas pela Agência de Pesquisa na Internet, conhecida pelo apelido de “Projeto Lakhta”.

2. WikiLeaks

Se a publicação pelo WikiLeaks dos e-mails roubados por hackers russos liga Moscou à própria Trump Tower ainda é uma incógnita. Mas um acordo de defesa vazado do teórico da conspiração Jerome Corsi deixa claro que os associados de Trump tinham pelo menos algum conhecimento antecipado do que o WikiLeaks planejava publicar as mensagens. Como isso pode se conectar com as acusações que o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, enfrenta, e outro acordo aparentemente abandonado para ele deixar a embaixada do Equador em Londres também não está claro.

3. Influência no Oriente Médio

Provavelmente o aspecto menos conhecido da investigação de Mueller é sobre a possível influência de países do Oriente Médio a favor da campanha contra Trump. A investigação parece centrar-se no papel de Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Israel que, em alguns casos, ter laços comerciais com Trump ou com o genro do presidente, Jared Kushner. 

4. Atividades de Paul Manafort

O que começou como um indiciamento por lavagem de dinheiro conta o ex-coordenador de campanha de Trump terminou com sua condenação por oito acusações. Em documentos enviados a uma corte, Mueller diz ainda que investiga o ucraniano Konstantin Kilimnik, ligado a Manafort e à inteligência russa e que poderia ter ligação com Tom Barrack, investidor do mercado imobiliário que tem laços com Trump

5. O projeto da Trump Tower de Moscou

Dias antes do ex-advogado de Trump Michael Cohen ser setenciado a três anos de prisão por oito crimes dos quais ele declarou-se culpado, Mueller surpreendeu a todos com uma nona acusação após ele admitir que mentiu ao Congresso sobre o status das Organizações Trump em relação a uma tentativa de construir uma Trump Tower em Moscou, o que aconteceu quando o republicano já estava em campanha.

6. Outros contatos da campanha e da equipe de transição com a Rússia

Ao menos 14 pessoas que trabalharam para Trump tiveram contato com agentes russos durante a campanha e no período de transição, do conselheiro de política externa Carter Page ao secretário de Justiça Jeff Sessions. E ainda há muitas questões em aberto sobre essas reuniões.

7. Obstrução de Justiça

A nomeação de Mueller se deu após Trump de demitir o então diretor do FBI, James Comey, para determinar se foi uma tentativa de obstruir os estágios iniciais da investigação sobre a Rússia. Mas documentos judiciais recentes sugerem que Mueller poderia estar montando um caso mais amplo de obstrução de justiça contra Trump, argumentando que as declarações públicas do presidente foram uma tentativa de limitar o escopo da investigação.

- Investigações pela Procuradoria do Distrito Sul de Nova York

8. Conspiração financeira da capanha e das Organizações Trump

A ameaça mais concreta contra a Casa Branca parece vir de promotores federais em Nova York que investigam as supostas manobras financeiras de Trump. Talvez a maior bomba política nas últimas três semanas tenha sido as novas revelações em torno de Michael Cohen e os pagamentos para encobrir casos extraconjugais nas semanas finais das eleições de 2016. Os promotores dizem ter evidência concretas de que Trump coordenou pessoalmente os pagamentos.

9. Financiamento da posse

Em fim de 2018 o Wall Street Journal afirmou que os promotores estavam avaliando os US$ 107 milhões arrecadados e gastos pelo comitê de posse de Trump, para tentar determinar de onde veio e para onde foi todo este dinheiro - o FBI já expressou preocupação sobre membros da elite russa que participaram no evento. 

10. SuperPAC que financiou Trump

Relacionada com as notícias sobre as investigações de posse, está a notícia de que os promotores também avaliam o financiamento de um SuperPAC - comitês de arrecadação de fundos - de Trump, o Rebuilding America Now, que por algum tempo teve a participação de Paul Manafort.

11. Lobistas estrangeiros

Robert Mueller entregou informações que descobriu durante a investigação de lavagem de dinheiro de Manafort para promotores em Nova York. De acordo relatos, ele questiona a atualção de um trio de lobistas - Tony Podesta, Vin Weber e Greg Craig - e se eles supostamente deixaram de se registrar apropriadamente como agentes estrangeiros para trabalhos relacionados à Ucrânia.

- Investigações pela Procuradoria dos EUA no Distrito de Columbia

12. Maria Butina e a NRA

A confissão de culpa desta agente russa e entusiasta dos direitos das armas acompanhou um extenso acordo de cooperação. Apesar de o próximo da investigação parecer ser o namorado de Butina, o agente republicano Paul Erickson recebeu uma carta informando que ele é "alvo" dos promotores - sobre o financiamento de campanha em 2016 pela Associação Nacional de Rifle (NRA) 

- Investigações pela Procuradoria dos EUA no Distrito Oriental da Virgínia

13. Elena Alekseevna Khusyaynova

A suposto contadora-chefe da Agência de Pesquisa na Internet foi indiciada no ano passado por promotores no norte da Virgínia e na unidade do Departamento de Justiça que lida com casos de espionagem e contraespionagem. Elena foi acusada de atividade que foi além da campanha de 2016, incluindo os esforços para interferir na eleição de meio de mandato, em 2018.

14. Influência turca

Segundo documentos judiciais, Michael Flynn, ex-conselheiro de segurança nacional de Trump, contribuiu em dois casos além da investigação sobre a Rússia. Há indícios de que um desses casos seja focado na influência ilegal do governo turco e um possível financiamento do movimento liderado pelo opositor Fethullah Gülen, um clérigo residente na Pensilvânia acusado pelo governo turco de ajudar a instigar um golpe fracassado.

- Investigações pela cidade de Nova York, pelo Estado de Nova York e por Procuradores-Gerais de outros Estados

15. Caso dos impostos

Depois de reportagem do New York Times descobrir que Trump aparentemente se beneficiou de mais de US$ 400 milhões em esquemas fiscais, autoridades municipais disseram que investigam pagamentos de impostos de Trump, assim como o Departamento de Impostos do Estado de Nova York.

16. A Fundação Trump 

O procurador-geral de Nova York processou a Fundação Trump, acusando-a de "violações das leis de financiamento de campanha, autonegociação e coordenação ilegal com a campanha presidencial". Um juiz decidiu em novembro de 2018 que o processo pode prosseguir e o novo procurador-geral prometeu investigações ainda mais amplas.

17. Processo de Emolumentos

Os procuradores-gerais de Maryland e DC enviaram intimações no fim de 2018 para a Organização Trump e para os hotéis do presidente pedindo registros financeiros relacionados a um processo sobre um suposta violação da chamada Cláusula de Emolumentos da Constituição, que parece proibir o presidente (e, no caso, suas empresas) de aceitar pagamentos de poderes estrangeiros enquanto ocupar o cargo.

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