AP Photo/Mark Schiefelbein
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As chaves do 19.º Congresso do Partido Comunista da China

Considerado ‘o maior partido do mundo’, com 89 milhões de membros, o evento é o principal da vida política do país

O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2017 | 07h00

PEQUIM - O 19.º Congresso do Partido Comunista da China (PCC), "o maior partido do mundo" com 89 milhões de membros, começa nesta quarta-feira, 18, em Pequim, um evento central da vida política do país que acontece a cada cinco anos.

Perfil: Xi Jinping, o dirigente chinês mais poderoso do país nos últimos 25 anos

Desenvolvimento

Um total de 2.287 delegados, eleitos pelas distintas assembleias do partido, se reúnem a portas fechadas após uma cerimônia de abertura em Pequim no Palácio do Povo, um dos símbolos do poder comunista, que governa o país com mão de ferro desde 1949. Os delegados designam o Comitê Central (205 membros), uma espécie de parlamento do partido que define por sua vez o núcleo dirigente: os 25 membros do gabinete político, incluindo o secretário-geral. A composição da equipe dirigente é anunciada ao final do Congresso, que ainda não teve a data de encerramento revelada. A reunião costuma durar uma semana e poderia, portanto, terminar no dia 25 de outubro.

Poder real

Na prática, o poder real está nas mãos dos sete membros permanentes do gabinete político. Até cinco integrantes do atual comitê permanente podem ser substituídos desta vez. A Comissão Militar Central (11 membros), fundamental por controlar o Exército, também será renovada, assim como a temida Comissão Central de Inspeção Disciplinar, que persegue os membros corruptos do partido. Na realidade, as decisões mais importantes são tomadas muito antes do Congresso entre os principais dirigentes do país, que tentam distribuir os postos no gabinete político entre as várias alas do partido. Como em todos os sistemas do tipo soviético, o partido prevalece sobre o Estado. O poder de Xi Jinping é consequência de suas funções de secretário-geral do PCC, cargo que assumiu em 2012, antes de ser eleito presidente do país pelo Parlamento em 2013.

Novo mandato para Xi

Xi Jinping, de 64 anos, deve obter no Congresso um segundo mandato de cinco anos à frente do partido e, portanto, do país. O líder também poderia aproveitar a reunião para preparar o terreno para um terceiro mandato, o que o levaria a comandar o PCC até 2027. Neste caso, entretanto, a Constituição o obrigaria a abandonar a presidência. Para conseguir seu objetivo, Xi precisa conseguir a aprovação do fim do limite de idade, uma norma não escrita que proíbe a eleição ou a reeleição de pessoas com mais de 68 anos para o gabinete político. O presidente chinês terá 69 anos no Congresso de 2022. Os analistas acompanharão os movimentos de Wang Qishan, o poderoso diretor da comissão disciplinar, que já tem 69 anos e, a princípio, deveria abandonar o gabinete político. Se ele prosseguir no cargo, nada impediria que o mesmo acontecesse com Xi Jinping dentro de cinco anos.

Sucessor

Os analistas também estarão atentos à chegada de uma nova geração de dirigentes ao gabinete político, o de pessoas que nasceram nos anos 1960. O atual comitê permanente é formado por sexagenários e septuagenários. O mais novo da equipe dirigente pode ficar bem posicionado para ser o futuro líder chinês. Entre os possíveis candidatos são mencionados Chen Min'er, de 57 anos, líder do partido na grande cidade de Chingqing (sudoeste), e Hu Chunhua, de 54 anos, número um da Província de Guangdong. / AFP

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