As cinco principais questões do discurso do presidente

Análise: Chris Cillizza / Washington Post

É JORNALISTA, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2013 | 02h07

Diante de um Congresso repleto de parentes de vítimas de armas de fogo, além da ex-deputada Gabrielle Giffords (democrata de Arizona), a maior questão do discurso do presidente Barack Obama foi como ele atuará no controle ao acesso às armas. A decisão de Obama de guardar suas observações sobre o tema para o fim do discurso e pedir urgência na votação de todas suas propostas sobre armas foi, de longe, a parte mais ousada de sua fala. "Gabby Giffords merece um voto. As famílias de Newtown merecem um votaço. As famílias de Aurora merecem um voto." Os comentários do presidente sobre armas serão o legado duradouro de seu discurso e um sinal de que suas promessas de usar todo seu poder para efetivar medidas que ele acredita que conterão a violência não foram simples retórica.

Desde que Bill Clinton declarou que a "era do governo grande acabou", os democratas debatiam o papel que o governo deve ter na vida dos americanos . Obama tentou articular a resposta de seu partido: "Não é de um governo maior que precisamos, mas de um governo mais inteligente, que estabeleça prioridades e invista no crescimento com base ampla". A declaração tenta alcançar um equilíbrio entre a visão de "quanto menos governo melhor", da maioria dos republicanos.

Nos início do discurso, Obama deixou claro que se o Congresso não agir, ele agirá na questão climática. Sua fala foi dura. "Podemos acreditar que a supertempestade Sandy e a seca mais severa em décadas e os piores incêndios que já foram vistos em alguns Estados foram uma estranha coincidência. Ou podemos acreditar no julgamento avassalador da ciência - e agir antes que seja tarde demais." Esse é o apelo mais direto à ação do Congresso sobre a questão da mudança climática que jamais se ouviu de um presidente americano.

O debate sobre quem pode votar, quando pode votar e quem tenta impedir eleitores em potencial empolga a base democrata. Obama anunciou a formação de uma comissão não partidária para melhorar o processo de votação. "Quando qualquer americano - seja onde for que ele viva e qual for seu partido - é privado desse direito pela simples razão de não poder esperar cinco, seis, sete horas para depositar seu voto numa urna, estamos traindo nossos ideais."

Sim, o grosso do discurso tratou de economia. E, sim, o presidente insistiu para que o Congresso evite o confisco e não engesse o governo. Mas o problema está nos detalhes e Obama não ofereceu muitos. Com os republicanos já contrários a qualquer tentativa de contornar o confisco, é difícil imaginar como o Congresso encontrará uma maneira de fazê-lo. O presidente falou sobre a economia. Mas é difícil dizer que ele fez o debate avançar.

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