Doug Mills/The New York Times
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As duas apostas nucleares de Trump

Governo do republicano promete ser marcado pela diplomacia nuclear, com ênfase em Coreia do Norte e Irã; se iniciativas derem errado, no entanto, planeta entrará numa nova era de angústia atômica

O Estado de S.Paulo

29 Abril 2018 | 06h30

A diplomacia nuclear promete ser a marca do governo Donald Trump na política externa. Se suas apostas derem certo, ele terá dois troféus a apresentar: Irã e Coreia do Norte. Se derem errado, o planeta entrará numa nova era de angústia atômica, de consequências potencialmente catastróficas.

Nos dois tabuleiros, o jogo de Trump segue o mesmo princípio: ser durão compensa. Ser durão significa fazer ameaças - romper o acordo nuclear com o Irã; derrubar o ditador norte-coreano Kim Jong-un - para obrigar o adversário a ceder.

Embora a ruptura com o Irã seja provável no próximo dia 12 de maio, Kim agora se tornou um interlocutor legítimo. Nele, estão as esperanças de um acordo histórico que livre a Península da Coreia das armas nucleares e consagre a paz com o Sul no conflito de 68 anos. “Apesar das críticas de Trump ao acordo nuclear com o Irã, ele traz lições para as conversas com Pyongyang”, diz o diplomata Peter Harrell.

Primeira: melhor ser ambicioso, negociar até um plano para reunificar as Coreias, do que aceitar outro acordo de abrangência restrita, que permita aos críticos defender a ruptura apontando fracassos (prazo limitado, deixar de fora os mísseis, o Hezbollah ou a Síria).

Segunda lição: é preciso ter prazos, mas não adianta ter pressa. Levou quase dois anos entre o primeiro documento oficial e o acordo final com o Irã. A meta americana, “desarmamento completo, verificável e irreversível” da Coreia do Norte, não é realista no prazo curto. A Coreia do Sul prefere uma abordagem gradual, com alívio progressivo das sanções. Parecem lições antagônicas? Pois são. A situação desafia todos os negociadores, refinados ou durões.

- A escalada entre Israel e Irã na Síria

Depois do bombardeio americano, acelerou-se a escalada entre Israel e Irã em território sírio. Dois voos de Teerã transportaram ao governo de Bashar Assad novas baterias antiaéreas, semelhantes às que derrubaram um caça israelense e desencadearam, como retaliação, um ataque, em fevereiro, a uma base síria em Homs.

- Natalie Portman desafia Netanyahu

Nascida em Jerusalém, detentora de dupla cidadania e fluente em hebraico, a atriz Natalie Portman se recusou a comparecer à cerimônia em que receberia € 1,6 milhão pelo principal prêmio israelense, o Gênesis, para não sugerir apoio ao premiê Binyamin Netanyahu. “Porque me preocupo com Israel, devo me levantar contra a violência, a corrupção, a desigualdade e o abuso de poder”, escreveu no Instagram. Sua atitude não deve ser confundida com o boicote de artistas e acadêmicos conhecido por BDS. “Como muitos israelenses e judeus no mundo todo, posso criticar a liderança israelense sem querer boicotar uma nação inteira.”

- A revolta dos fazendeiros contra as tarifas

A maior pressão contra as tarifas do governo Trump deverá vir dos produtores agrícolas, em especial de soja, principal alvo da retaliação da China. A agropecuária se concentra em Estados que elegeram Trump em 2016, como Michigan, Pensilvânia, Wisconsin, Iowa, Indiana, Ohio, Kentucky ou Missouri. O risco é Trump repetir, nas eleições legislativas de novembro, o desempenho de Jimmy Carter em 1980. Depois da retaliação soviética às sanções pela invasão do Afeganistão, os fazendeiros americanos trocaram o produtor de amendoim por Ronald Reagan. 

- A prisão do estuprador misterioso da Califórnia

Escritora e investigadora obsessiva, Michelle McNamara morreu aos 46 anos, em 2016, sem ver a prisão de sua nêmesis: o misterioso assassino em série sobre quem sabia mais que a polícia, batizado por ela “Golden State Killer”. Acusado de dezenas de estupros e 12 assassinatos, entre 1976 e 1986, o ex-policial Joseph DeAngelo, de 72 anos, foi preso em Sacramento, bem no momento em que auxiliares e familiares de Michelle se reuniam para ler o livro póstumo dela sobre o caso. A pena de morte é legal na Califórnia, mas não há execução desde 2007.

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