Radicais mantêm reféns estrangeiros na Argélia; franceses avançam no Mali

Mais de 30 horas depois do início da operação de resgate conduzida pelas forças especiais argelinas, o destino de ao menos 30 reféns estrangeiros continuava incerto ontem à noite no complexo de gás da British Petroleum (BP) e da Statoil no sul da Argélia, ainda parcialmente ocupado por terroristas, que invadiram o local na quarta-feira.

LOURIVAL SANTANNA, ENVIADO ESPECIAL / MARKALA, MALI, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2013 | 02h05

A morte de outros 12 estrangeiros e 11 militantes islâmicos estava confirmada - a informação inicial era de 30 reféns mortos. Foram libertados 650 reféns - 100 estrangeiros e 550 argelinos.

Um irlandês que conseguiu escapar afirmou ter visto quatro jipes "cheios de reféns" explodirem depois de serem atingidos por projéteis disparados pelos caças argelinos que apoiaram a operação de resgate. Não há informações precisas sobre o número nem a nacionalidade dos reféns, mas se sabe que dentre os mortos estão 2 japoneses, 2 britânicos, 1 francês e 1 americano; 14 japoneses e 8 noruegueses estão desaparecidos; e havia também americanos, romenos, malaios e um austríaco no complexo.

De acordo com informações não confirmadas, Mokhtar Belmokhtar, o líder do grupo islâmico responsável pelo sequestro em massa, teria oferecido soltar os americanos que ainda estariam no cativeiro em troca da libertação do xeque egípcio cego Omar Abdel-Rahman, acusado de ordenar o atentado contra o World Trade Center em 1993, e a paquistanesa Aafia Siddiqui, também presa nos Estados Unidos sob acusação de terrorismo. A porta-voz da Casa Branca, Victoria Nuland, reafirmou ontem a política dos Estados Unidos de não negociar com terroristas.

A Argélia abriu seu espaço aéreo para a passagem de aviões franceses que desde o fim de semana estão bombardeando posições dos combatentes islâmicos, que ocupam o norte do Mali, além do transporte de um contingente que ontem chegou a 1.800 soldados. O governo argelino também fechou a fronteira com o Mali, dificultando a movimentação dos radicais, parte deles ligada à Al-Qaeda do Magreb Islâmico.

Ofensiva. As tropas francesas avançaram ontem em direção ao norte do Mali, retomando a cidade de Konna, situada logo acima da linha de demarcação do conflito, fixada depois que os radicais islâmicos consolidaram o controle de dois terços do território do país, em maio. Em Markala, onde as tropas francesas estão concentradas, 254 km ao norte da capital, Bamako, o Estado recebeu a informação de que os combatentes islâmicos estariam se retirando de Diabaly. A cidade foi tomada na segunda-feira, apesar dos bombardeios franceses.

As informações são de que não houve combate por terra em Diabaly, mas apenas bombardeios dos aviões franceses. O prefeito da cidade, Omar Diakite, disse na noite de quinta-feira ao Estado que os corpos dos combatentes islâmicos haviam sido empilhados em duas camionetes.

Segundo Diakite, 2 mil combatentes islâmicos participaram da tomada da cidade. Ao menos 40 veículos levando os radicais foram vistos saindo de Diabaly entre quinta-feira e ontem.

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