As duas Coreias se reúnem em busca de diálogo

Uma delegação de três autoridades norte-coreanas se encontrou hoje com o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak; uma reunião rara na tentativa de melhorar a relação diplomática na tensa península coreana. O encontro, de apenas meia hora, ocorreu na residência presidencial, a Casa Azul. De acordo com o porta-voz Lee Dong-kwan os três representantes do líder norte-coreano entregaram uma carta em que Kim Jong Il louvou "o progresso na cooperação entre as Coreias."

AE-AP, Agencia Estado

23 de agosto de 2009 | 11h00

O presidente da Coreia do Sul reiterou durante o encontro a necessidade de um "diálogo sincero", ao que os representantes do vizinho responderam que existe disposição de seu governo para a resolução de todos os conflitos entre ambos os países. O porta-voz disse que não poderia revelar todo o conteúdo da carta por causa da sensibilidade da questão.

O encontro é o primeiro desde que Lee Myung-bak tornou-se presidente há 18 meses e ocorreu apenas algumas horas antes do funeral de Kim Dae-jung, Nobel da Paz e ex-presidente da Coreia do Sul, que esteve em Pyongyang em 2000 para um encontro histórico com Kim Jong Il. Kim morreu na terça-feira, dia 18, aos 85 anos, e ganhou o Nobel por sua política de reconciliação com o vizinho do norte.

As duas Coreias continuam em estado de guerra desde 1953, fim de um conflito que durou três anos e terminou com uma trégua, mas não com um acordo de paz. Tanques e tropas guardam até hoje a zona desmilitarizada que divide os dois lados.

Kim Dae-jung, presidente de 1998 a 2003, defendia a aproximação e tentou facilitar a reconciliação com o empobrecido vizinho por meio de ajuda humanitária. Na reunião de 2000 em Pyongyang, ele e Kim Jong Il concordaram com uma série de projetos para melhorar a relação entre ambos os países. O atual presidente sul-coreano, contudo, estremeceu novamente esses laços com a adoção de uma política conservadora. Lee condicionou a continuidade da ajuda ao desarmamento nuclear do vizinho do norte. Como resultado, Pyongyang abandonou as negociações de paz e a maioria dos projetos bilaterais e se engajou no lançamento de mísseis e foguetes, irritando as potências do Ocidente, além de ter conduzido um teste atômico subterrâneo.

Houve sinais de relaxamento das tensões nas últimas semanas. Depois de receber o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton durante uma missão para libertar duas jornalistas, a Coreia do Norte soltou um cidadão sul-coreano preso por quatro meses. O país ainda mantém presos quatro pescadores sul-coreanos, cujo barco entrou nas águas do país, mas anunciou que permitirá a retomada de projetos conjuntos suspensos no ano passado. A morte de Kim Dae-jung mereceu condolências do líder norte-coreano, que despachou uma delegação de seis autoridades de alto escalão para participar do funeral do Nobel da Paz.

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