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As opções de Londres com a saída de May

A maioria dos candidatos à sucessão de May é pró-Brexit, e Johnson é o mais radical

Gilles Lapouge, Correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2019 | 05h00

A primeira-ministra britânica, Theresa May, prometeu encerrar suas funções. Mas não vai deixar um grande presente para seu sucessor: a Gloriosa Albion, sob seu reinado, se tornou melancólica, paralisada, um verdadeiro monstro.

Mas esse “monstro” deve ter alguns encantos, pois os candidatos à sua sucessão fazem fila, se atropelam, passam a perna no vizinho para chegar na frente. São todos, exceto um, partidários do Brexit e conservadores.

Há um favorito, o ministro do Meio Ambiente, Michael Gove, que inspira confiança pela seriedade e pelo vigor que demonstrou quando foi ministro da Justiça, mostrando-se implacável com os consumidores de drogas. Infelizmente, foi descoberto que, há 20 anos, ele consumiu cocaína. Gove disse “lamentar esse erro”.

Outro ministro na disputa é o das Relações Exteriores, Jeremy Hunt. No caso dele, o consumo foi de maconha, mas ele não tem certeza de ter consumido e isso pode ter ocorrido na Índia, longe do Reino Unido. Precisamos então nos conformar com os “defensores do Brexit duro”, que querem deixar a Europa mesmo sem acordo.

Esse grupo é composto por quatro pessoas: Dominic Raab, Esther Mc Vey, Andrea Leadsom e Matt Hancok. Além da devoção à grandeza do país, eles têm um ponto comum. Os quatro provaram maconha “à época da sua juventude louca”, como disse o poeta François Villon. 

Então, temos de apostar no famoso Boris Johnson que, no governo de May, ocupou durante um tempo a chancelaria, antes de se demitir para se sentir mais à vontade para falar horrores da premiê. Anteriormente, ele foi prefeito de Londres.

Johnson é o mais duro dos partidários do Brexit. No entanto, talvez esta seja uma mentira. Num momento de sinceridade, ele confessou que, durante a campanha do referendo, em 2016, preparou duas cartas, uma a favor da Europa e outra elogiando o Brexit, se reservando o direito de divulgar uma ou outra segundo o resultado do referendo. 

Verdade ou mentira? No caso de Johnson “o pior é sempre o mais certo”. Esse é o homem que hoje está em posição de vantagem para suceder sua inimiga May. Como explicar sua popularidade? Mistério.

Em todo caso, no período em que se busca um sucessor para May, as histórias sobre Johnson proliferam. Suas mentiras provocam risos em toda Londres. Não disse ele que, se assumir o comando do Reino Unido jamais pagará os 45 bilhões de euros que Londres deve à União Europeia? E, quando da negociação do Brexit, não afirmou que a UE era uma espécie de Terceiro Reich? 

Talvez porque o então presidente da França, François Hollande, parecia um “kapo” nazista. A impressão que temos às vezes é que este século ama a Europa, mas para passar por cima dela. Na Ucrânia, um comediante agora preside o país. Na Itália, Silvio Berlusconi, o palhaço típico, tinha vários trunfos a seu favor: sua habilidade, sua loquacidade, sua gentileza. Mais tarde, os italianos herdaram Beppe Grilo, palhaço de verdade e cujo Movimento 5 Estrelas se associou aos fascistas do norte para conduzir a Itália não sabemos para onde.

E ninguém duvida que, após uma boa busca, ainda encontraremos alguns palhaços em posição de comando, um ou dois em cada um dos cinco continentes. Johnson tem direito a figurar nessa estranha lista. Ele também reconheceu, em 2017, ter consumido maconha. Mas assegurou que essas drogas não têm “nenhum efeito” sobre ele. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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