Marcos Brindicci/Reuters
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As polêmicas do governo de Cristina Kirchner na Argentina

LISTA: A presidente argentina se envolveu em uma série de crises; confira algumas ocorridas nos últimos 12 meses

Ariel Palacios, correspondente em Buenos Aires,

04 de outubro de 2012 | 16h53

BUENOS AIRES - Em meio a crescentes protestos na Argentina contra o governo da presidente Cristina Kirchner, apresentamos uma relação com algumas das crises enfrentadas por ela no último ano, desde que foi reeleita para o segundo mandato. Confira a seguir.

 

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Outubro de 2011: Cristina Kirchner é reeleita presidente da Argentina com 54,1% dos votos. Ela agradece a vitória ao marido, Nestor, morto um ano antes. Não convoca a oposição para dialogar.

 

Novembro: A presidente começa a aplicar as primeiras medidas do "corralito verde", denominação do pacote de decisões que implicam em inéditas restrições para a compra de dólares. A moeda fora o refúgio predileto dos argentinos durante quatro décadas.

 

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Dezembro: Cristina pede – e obtém – dos sócios do Mercosul a proibição para que navios com bandeira das ilhas Malvinas atraquem em portos do bloco. Cristina toma posse e faz longa auto-apologia de seu primeiro governo. Dias depois, anuncia a intensificação das medidas protecionistas e afirma que a Argentina "não importará um prego sequer".

 

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Ainda em dezembro, um escândalo atinge seu vice-presidente, Amado Boudou, suspeito de tráfico de influências em supostas negociatas da Casa da Moeda. Mas, dias depois, o governo anuncia que a presidente tem câncer na glândula tireoide, o que deixa o caso Boudou em segundo plano.

 

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Janeiro de 2012: A presidente é operada do câncer. Três dias depois, contudo, a Casa Rosada admite, sem mais explicações, que não era câncer. O caso fica conhecido ironicamente como o "não-câncer" de Cristina. Semanas depois, em um discurso, a presidente faz questão de exibir a cicatriz que ganhou na cirurgia. "Muitos por aí queriam que eu tivesse câncer", diz, para driblar explicações sobre a inexistência do tumor que havia sido anunciado um mês antes.

 

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Fevereiro: "Vamos por tudo", diz Cristina em um comício em Rosário. A frase, indicando aos militantes kirchneristas que teriam que tomar toda a esfera da vida pública, foi alvo de críticas da oposição. Ressurge o caso Boudou. Popularidade da presidente começa a sofrer uma persistente queda.

 

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Março: Aparecem rumores de possível estatização da companhia petrolífera YPF. O governo nega que planeje tal medida. Cristina intensifica pressões na ONU para reaver as Malvinas e diz que os kelpers - como são chamados os nativos das ilhas - não entram na negociação entre Buenos Aires e Londres.

 

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Abril: A presidente Cristina expropria a YPF e remove a espanhola Repsol de seu controle acionário. Ela celebra a "soberania energética". Dias depois, o governo Kirchner convida as americanas Exxon e Chevron a investir na YPF e em parcerias na Patagônia.

 

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Maio: Cristina obtém a aprovação da expropriação da YPF no Senado argentino. Parlamentares kirchneristas iniciam movimento para modificar a Constituição e conseguir o que chamam de "Cristina Eterna", a permissão de reeleição indefinida da presidente.

 

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Junho: Com a intensificação da inflação, a popularidade da presidente sofre nova queda. Há uma ruptura total com a Confederação Geral do Trabalho (CGT), cujo líder, Hugo Moyano, pede aos argentinos que votem na oposição. Cristina defende a criação de uma CGT alternativa, alinhada com o governo (fato que se concretizaria em outubro). Seu governo ainda dá respaldo à suspensão do Paraguai do Mercosul para possibilitar a entrada da Venezuela de Hugo Chávez.

 

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Julho: Cristina intensifica sua ofensiva contra o dólar. Perante o escândalo que revela que a própria presidente tinha US$ 3 milhões em aplicações financeiras na moeda americana, Cristina anuncia a "pesificação" de seus investimentos.

 

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Agosto: Cristina decreta expropriação da gráfica privada que imprime notas de pesos e que era o foco do escândalo de corrupção de seu vice, Boudou. A oposição afirma que a estatização da empresa permitirá o encobrimento das pistas.

 

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Setembro: O Fundo Monetário Internacional (FMI) critica a manipulação de estatísticas do governo sobre índices de inflação e pobreza. Cristina responde irritada e intensifica a guerra contra o Grupo Clarín, ao anunciar o dia 7 de dezembro como prazo para que venda a maior parte dos canais de TV e estações de rádio.

 

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Entre janeiro e setembro, a presidente usou dezoito vezes o recurso de rede nacional de TV, alegando que essa é a única forma de comunicar aos argentinos seus feitos de governo. No entanto, nos discursos conta intimidades e desfere broncas nos próprios ministros.

 

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