Dan Balilty/The New York Times
Dan Balilty/The New York Times

As principais preocupações dos israelenses na eleição legislativa

Escândalos de corrupção envolvendo Binyamin Netanyahu, segurança regional, criação de um Estado palestino e aumento do custo de vida são os principais temas da eleição de terça-feira

AFP, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2019 | 15h34

Os israelenses irão às urnas nesta terça-feira, 9, para votar em eleições parlamentares que renovarão o Knesset (Parlamento) e elegerão o novo primeiro-ministro. O atual premiê, Binyamin Netanyahu, busca a reeleição para seu quarto mandato consecutivo e quinto no geral. Caso derrote os outros 12 candidatos, ele se tornará o político a permanecer por mais tempo no cargo em Israel, superando o fundador do país, David Ben-Gurion. 

Benny Gantz, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, e Yair Lapid, são considerados os maiores adversários de Netanyahu neste pleito. O Knesset tem 120 assentos, a maioria é ocupada pelo Likud, partido de Netanyahu, e seus aliados. Desde que Israel foi fundado em 1948, nenhum partido formou maioria absoluta.   

A eleição em Israel é uma das mais apertadas das últimas décadas, e uma série de temas preocupa os israelenses:

Os escândalos de corrupção de Netanyahu 

Aos grandes temas habituais - a paz com os palestinos, a segurança, ou o custo de vida -, somou-se mais um: manter no cargo, ou não, primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que deve enfrentar um processo por corrupção após as eleições. Dizer "sim" é assumir o risco de um chefe de governo que terá de se dividir entre suas obrigações nas áreas de segurança e de economia e as audiências na Justiça.

Netanyahu clama sua inocência e denuncia uma "caça às bruxas". Seu principal concorrente, o general Benny Gantz, à frente da lista centrista Azul-Branco, promete pôr fim à corrupção dos anos Netanyahu.

A segurança no Oriente Médio

Em um contexto regional pouco favorável, Israelcontinua a enfrentar ameaças - em especial do Hamas palestino, em Gaza; do Hezbollah no Líbano, ou do Irã.

Uma grande preocupação dos israelenses é escolher alguém que tenha condições de protegê-los. Com a lista do Likud, Netanyahu mantém sua imagem de homem forte, enquanto apresenta Gantz e seus aliados como um aglomerado de fracos e esquerdistas.

Já o Azul-Branco faz questão de destacar o fato de ter um ex-chefe do Estado-Maior na cabeça, além de outros dois ex-comandantes das Forças Armadas em terceira e quarta posições da lista. O número dois da lista trabalhista também é um general.

Um Estado palestino?

O conflito, ou a paz, com os palestinos continua sendo um tema importante na vida política israelense, ainda que não lidere a lista de preocupações dos eleitores.

Faz tempo que Netanyahu parou de se referir à solução de "dois Estados", a qual implicaria a criação de um Estado palestino. No sábado à noite, ele afirmou que vai começar a anexar as colônias israelenses na Cisjordânia ocupada, se for reeleito. Essa anexação seria a pá de cal na solução de dois Estados.

Gantz denuncia essas propostas como "irresponsáveis". O candidato se diz favorável a um acordo de paz que conte com apoio regional e internacional, no marco de alguns princípios, como a manutenção da soberania israelense sobre Jerusalém, a manutenção dos grandes blocos de colônias na Cisjordânia ocupada e a manutenção do controle israelense da segurança no Vale do Jordão.

Uma parte dele se encontra na Cisjordânia. O programa do Azul-Branco preconiza uma "separação" com os palestinos, mas sem evocar a "solução de dois Estados".

Custo de vida

Uma pesquisa recente do Instituto pela Democracia, de Israel, indica que, para cerca de 25% dos israelenses, a principal consideração no momento de votar será em relação a questões socioeconômicas.

Embora o Estado hebreu registre um índice muito baixo de desemprego, uma inflação quase inexistente e um crescimento de fazer inveja a muitos países ocidentais, mais de 20% de sua população vive no limiar da pobreza.

Israel é conhecido pelo alto custo de vida, e o valor dos aluguéis é uma preocupação comum. A escassez de leitos nos hospitais públicos e o aumento dos preços de alguns produtos de base engrossam essa lista. Apesar das reiteradas promessas dos candidatos a cada campanha eleitoral, os israelenses se queixam de não verem mudanças nesse sentido./ AFP

 

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