Mauro Pimentel/AFP - 15/10/21
Mauro Pimentel/AFP - 15/10/21
Imagem Lourival Sant'Anna
Colunista
Lourival Sant'Anna
Conteúdo Exclusivo para Assinante

As promessas brasileiras na COP-26

Se o Brasil abordar as três fontes das emissões de efeito estufa superará a meta de reduzir 50%

Lourival Sant'Anna, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2021 | 05h00
Atualizado 07 de novembro de 2021 | 05h00

O Brasil se comprometeu na Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (COP-26) a reduzir até 2030 as emissões dos gases de efeito estufa em 50% e do metano em 30%, e a eliminar o desmatamento ilegal até 2028. Essas metas são alcançáveis? A resposta está nas margens de três fontes de emissões: queimadas, agropecuária e uso de energia.

O governo elevou de R$ 228 milhões para R$ 498 milhões a verba para fiscalização na Amazônia, contratou 739 fiscais e mobilizou 700 policiais militares na Força Nacional. Em julho e agosto o desmatamento diminuiu em relação a 2020, em setembro subiu ligeiramente e o dado divulgado na sexta-feira era de queda de 40 km², mas ainda faltavam dois dias para fechar o mês. 

Isso indica uma preocupante resiliência do desmatamento, considerando os recentes esforços do governo e o fato de a base, outubro de 2020, com 836 km², ser o recorde da série de alertas do Deter/Inpe, iniciada em 2016. 

A eliminação do desmatamento ilegal é a principal premissa da meta de redução de 50% do dióxido de carbono equivalente, que abarca todos os gases: as queimadas representam 46% das emissões do Brasil. A agropecuária responde por 72% do metano. Aqui, como nas queimadas, a margem de redução das emissões é significativa.

O Brasil tem 171 milhões de hectares de pastagens, ou 20% do território nacional. Desses, 50% estão degradados, em diversos níveis, segundo o MapBiomas/UFG.

Nos últimos dez anos, o programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC) recuperou 27 milhões de hectares, quando a meta eram 15 milhões. Segundo um estudo do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, cada hectare degradado produz em média por ano 1 cabeça de gado, que engorda 50 kg, enquanto no pasto recuperado são 5 cabeças e 500 quilos.

A recuperação do pasto reduz o custo anual de produção por hectare de R$ 250 para R$ 150. Ou seja, ela interessa ao produtor, que precisa de crédito e assistência técnica para realizá-la.

A próxima etapa do programa, chamada ABC+, incorporou tecnologias de abate antecipado e tratamento do esterco, e prevê a redução de 1,1 bilhão de toneladas de CO2 equivalentes entre 2020 e 2030. Isso representa um corte de 5% nas emissões, tomando por base 2020. Somando os 46% do fim das queimadas com esses 5%, o Brasil superaria a meta de 50%. 

Mas, e se a economia crescer e, com ela, as emissões por consumo de energia, que representam 18% do total? Aí o Brasil tem pouca margem, com seus 83% de eletricidade por fonte renovável, ante 29% do mundo. Será preciso investir mais em eólica e solar.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.