Inez and Vinoodh / The New York Times
Inez and Vinoodh / The New York Times

As razões de Chelsea para trair os EUA 

Militar transgênero, pivô do caso WikiLeaks, conta a jornal por que divulgou dados secretos

O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2017 | 05h00

A falta de conhecimento do público americano sobre uma “guerra inútil e sangrenta” no Iraque motivou a militar transgênero Chelsea Manning a repassar documentos secretos ao WikiLeaks no maior caso de vazamento de dados sigilosos da história dos EUA. 

A militar, que na época se identificava como Bradley Manning, foi protagonista do caso. “Em certo ponto, parei de ver relatórios e comecei a ver pessoas: soldados americanos ensanguentados, civis iraquianos cravados de bala”, contou ao New York Times. 

Chelsea posou em um ensaio fotográfico para a revista da publicação nova-iorquina com roupas de Gabriela Hearst e Brandon Maxwell. Depois de meses elaborando relatórios sobre operações no Iraque, relata o texto, Chelsea tinha uma extensão extraordinária da guerra. “Ela tinha uma visão mais compreensiva sobre o papel dos americanos no Iraque do que a infantaria em campo de batalha”, diz o artigo. 

Em 2008, a militar graduou-se na Escola de Inteligência do Forte Huachuca, no Arizona, onde foi treinada para analisar fotos e vídeos, explosões e tiroteios, aspectos que formam um mosaico de uma guerra moderna. Chelsea sentia-se bem na função, que se encaixava com seus talentos geeks. 

No Iraque, ela participou de reuniões com forças de segurança iraquianas. Ali, segundo ela, começou sua desilusão. “Parecia que eles estavam em uma sessão de chá, onde havia a polícia iraquiana em seus uniformes azuis, o Exército iraquiano em suas fardas camufladas cor de chocolate antigo e os americanos na nossa farda camuflada verde digital”, disse Chelsea. “Todos falando línguas diferentes, frequentemente com propósitos cruzados.”

Em certo ponto, Chelsea voltou aos EUA com os documentos em um computador – gravados em um CD que ganhou o nome de Lady Gaga. Em casa, ela contou ter tido uma epifania. 

Segundo o artigo, Chelsea se deu conta de quão invisíveis as guerras se tornaram para os americanos, que resumiam seu conhecimento sobre o Iraque a notícias esporádicas nos jornais. “Havia dois mundos: o mundo nos EUA e o que eu estava vendo (no Iraque). Eu queria que as pessoas vissem o que eu estava vendo.”

Chelsea foi presa em maio de 2010 e cumpriu 7 anos da sentença de 35 por ter feito vazar os documentos. Na prisão, teve depressão e tentou se matar duas vezes. Conseguiu na Justiça o direito de receber o tratamento hormonal. Em maio, foi solta após perdão do então presidente Barack Obama. Ela tem 29 anos e vive em Nova York. / NYT 

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