As razões para o presidente ter perdido os americanos

ANÁLISE: Ross Douthat / NYT

O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2014 | 02h00

Os candidatos democratas vêm arrastando uma âncora: o presidente de seu partido, cujo índice de aprovação não sobe além dos 45% há mais de um ano. Por quê? Vocês lembram que Mitt Romney montou toda a sua estratégia de campanha, em 2012, em torno da suposição de que uma economia em frangalhos bastaria para não dar a Barack Obama um segundo mandato. Entretanto, durante todo aquele ano, com a taxa de desemprego ainda em torno de 8%, a aprovação de Obama continuou suficientemente elevada - mais de 45% - e ele acabou ganhando.

Hoje, a taxa de desemprego caiu para 6%, um número que a equipe de Obama trocaria pelo rim direito do coordenador de campanha David Axelrod, há dois anos. No entanto, a Casa Branca não tirou nenhum proveito disso. A confiança do eleitorado se foi e, aparentemente, não voltará.

Então, quando e como ele se perdeu? Quando a aprovação do presidente George W. Bush desabou, em seu segundo mandato, apesar do estado razoável da economia, a explicação foi simples: o Iraque. Nada é tão simples no caso de Obama. Portanto, aqui estão quatro teorias que pretendem explicar parcialmente a situação.

1. Ele está sendo culpado pela intransigência dos republicanos. É a explicação preferida dos partidários de Obama, porque o isenta de toda responsabilidade. Segundo essa teoria, com o país atualmente tão polarizado e com o eleitorado propenso a culpar o presidente pelo impasse, os números sobre a aprovação mostram um piso um pouco acima dos 40 pontos.

2. É a economia - sim, ainda. Essa explicação surpreende. Imagine se a economia estivesse apresentando uma explosão como nos anos 90. Com certeza, Obama teria uma chance razoável de registrar índices de aprovação do nível de Bill Clinton. No entanto, mesmo com a melhora do quadro do emprego, essa recuperação é basicamente uma decepção, principalmente para a classe média. É um exemplo de que a paciência dos eleitores continuou por algum tempo e, finalmente, acabou.

3. É o Obamacare - pois é, ainda. Esse é o fator que mais o aproxima de Bush e da Guerra do Iraque: a reforma do sistema de saúde, a menina dos olhos de Obama, continua em grande parte impopular (mesmo sem apresentar uma forte rejeição) e seu tropeço inicial, com os problemas no site do programa, coincidiu com a significativa queda no segundo mandato dos índices de aprovação do presidente. A solução para o site pode ter estabilizado o sistema, mas, por sua natureza, o Obamacare ainda cria muitos derrotados e também muitos vencedores.

4. É a política externa - e a competência. Uma das características interessantes da campanha de 2012 foi que, embora a economia tornasse em grande parte difícil a promoção de Obama, ele dispunha de uma vantagem de que muitas vezes os políticos democratas não têm: o eleitorado confiava nele em matéria de política externa. No entanto, essa confiança, que começou a se esgarçar com o caso Edward Snowden, deteriorou-se ainda mais no ano passado, quando os EUA não atacaram Bashar Assad, enquanto os recentes acontecimentos na Ucrânia e no Iraque tornaram essencialmente irrecuperável a posição de Obama. Seu índice de aprovação em política externa chega a cerca de 35% na maior parte das recentes pesquisas. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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