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As resoluções contra Israel na ONU

Apesar de tomar decisões mais sensíveis, pelo foco na cultura e na religião numa região conflagrada por ambas, a Unesco nem é o organismo da ONU com viés anti-israelense mais pronunciado

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

15 Outubro 2017 | 04h00

A rusga da Unesco com Israel e Estados Unidos é antiga. Não pode ser atribuída apenas à má vontade do presidente Donald Trump ou do premiê Binyamin Netanyahu. A briga se agravou em 2011, quando a entidade internacional aceitou como integrante a Autoridade Palestina. Desde então, as resoluções da Unesco relativas a locais de Jerusalém e Hebron, sagrados tanto para judeus quanto muçulmanos, têm sido feitas sob medida para atingir os israelenses. 

Na semana passada, a crise culminou com a saída dos dois países da organização. Apesar de tomar decisões mais sensíveis, pelo foco na cultura e na religião numa região conflagrada por ambas, a Unesco nem é o organismo da ONU com viés anti-israelense mais pronunciado. Essa distinção cabe à Comissão de Direitos Humanos (UNHRC) ou à própria Assembleia-Geral das Nações Unidas. Desde a fundação, em 2006, a UNRCH baixou 148 resoluções condenando governos do mundo todo de modo específico – 73 delas contra Israel (49,3%).

Na Assembleia-Geral, a distorção tem sido ainda maior. Das 123 condenações entre setembro de 2012 e dezembro de 2016 – incluindo as contra Síria, Coreia do Norte ou Irã –, 103 visavam o governo israelense (83,7%). Por mais que Israel deva mesmo ser condenado por violações a direitos humanos, e mesmo que a desproporção tenha caído um pouco nos últimos anos, ela continua escandalosa, diante da tolerância das Nações Unidas com autocracias como Arábia Saudita ou ditaduras como Cuba e Venezuela.

A briga de Trump com as redes de TV

Depois que a NBC revelou que Trump falou em “multiplicar por dez” o arsenal nuclear americano, ele foi ao Twitter ameaçá-la com a revogação de suas licenças de TV. A aparente tentativa de “controle da mídia” despertou revolta. Não era para tanto. Nos Estados Unidos, como no Brasil, as concessões são locais. A NBC apenas licencia a programação a afiliadas, reguladas pela Federal Communications Comission (FCC). Os conselheiros têm mandato fixo e não estão sujeitos ao Executivo.

Viktor Orbán recebeu bolsa de Soros

O premiê da Hungria, Viktor Orbán, promete fazer do bilionário George Soros um de seus principais alvos na campanha eleitoral do ano que vem. Soros tornou-se nos últimos anos uma espécie de bicho-papão para os partidos de direita, que criticam seu apoio a organismos internacionais, como a União Europeia. Nem sempre foi assim. Desde os anos 80, Soros financiou as iniciativas contra o comunismo no Leste Europeu – entre elas, a bolsa que pagou os estudos do jovem Orbán na Universidade de Oxford.

O apego dos economistas às canecas

Para comprovar como o apego a objetos e bens influi em nossas decisões financeiras, o economista Richard Thaler, vencedor do Nobel, criou dois mercados artificiais: um com fichas, outro com canecas decoradas com a insígnia da Universidade Cornell. Mostrou, num estudo publicado em 1990, que, embora o valor monetário fosse o mesmo, os alunos tinham mais resistência a negociar as canecas que as fichas. Ele conta que, desde então, nas dezenas de estudos contra ou a favor da conclusão, psicólogos e economistas compraram milhares de canecas, só porque um dia uma delas chamou sua atenção. “Alguém que faz canecas com insígnias de universidades me deve um jantar”, escreveu.

Walter Isaacson lança biografia de Da Vinci

Depois das vidas de Albert Einstein, Steve Jobs e Benjamin Franklin, o jornalista americano Walter Isaacson lança na terça-feira nos Estados Unidos sua biografia de Leonardo da Vinci, com base no acesso às 7 mil páginas dos cadernos privados do maior gênio do Renascimento. Ele descreve Da Vinci como “inovador consumado”, “gay ilegítimo”, “vegetariano, canhoto, facilmente distraído, às vezes herético”.

 

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