Remo Casilli/Reuters
Remo Casilli/Reuters

'As Sardinhas': Manifestações contra ultradireita explodem na Itália de Salvini

Grupo surgiu nas redes sociais e já reuniu manifestantes em cidades do norte da Itália, na tentativa de enfraquecer o avanço do partido Liga nas próximas eleições

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2019 | 07h00

ROMA - Depois de preencher as praças das cidades de Bolonha e Modena, no norte da Itália, o movimento espontâneo chamado de "As Sardinhas", contra o partido Liga do ex-primeiro ministro conservador Matteo Salvini, convocou uma série de manifestações para frear o avanço da ultradireita no país. 

Fundado por quatro jovens desconhecidos, indignados com o alinhamento político de Salvini fundado em discursos de ódio e exclusão, o movimento conseguiu, em tempo recorde, reunir cerca de 15 mil pessoas na praça central de Bolonha no momento em que Salvini reunia aproximadamente 5 mil militantes em um estádio na cidade, local histórico da esquerda italiana. 

"Esse é um movimento espontâneo, formado por um grupo de voluntários. Sem partidos e sem bandeiras", explicou o fotógrafo Paolo Ranzani pelo Facebook. "Acreditamos que as ideias que a Liga divulga são inaceitáveis". 

Cantando o hino dos antifascistas, a música italiana "Bella Ciao", o movimento também reuniu mais de 7 mil pessoas na cidade de Modena para protestar contra a campanha de Salvini de ser eleito com o apoio das regiões desenvolvidas do norte da Itália, tradicionalmente de esquerda, nas eleições do dia 26 de janeiro. 

Pesquisas apontam que a coalizão de direita está crescendo nessas regiões depois de ter obtido vitórias históricas nas eleições locais em Umbria (centro), onde a esquerda governava há 50 anos. As pesquisas também apontam que a direita sairia bem sucedida em qualquer voto nacional, com a Liga se saindo como o partido mais popular.

"Mas as sardinhas, assim como os peixinhos, unidas são fortes e podem se transformar em uma onda enorme, um tsunami" comentou o admirador Ranzani.

"As Sardinhas", convertidas no símbolo dos protestos contra Salvini e suas estratégias midiáticas, convocaram manifestações para os próximos dias em Reggio Emilia, Rimini, Parma e Florença, as mesmas onde o ex-premiê e ex-ministro do Interior planejou comícios. 

"Em Bolonha diziam que eram 100 mil para uma praça de 10 mil. Uma mentira que reflete o estilo da Liga, ganhar apoio com mentiras", declarou Mattia Santori, de 32 anos, um dos fundadores do grupo. "Em breve daremos mais informações para uma bela mobilização de sardinhas em Milão!", anunciaram no Facebook as "sardinhas" de Milão, que estipulam que a data para a mobilização seja 30 de novembro ou 1 de dezembro. 

A página "o arquipélago das sardinhas" tem a intenção de criar um grupo para coordenar aqueles que se identificam com os valores do antifascismo. "Nosso objetivo é criar um eixo entre o norte e o sul da península, para coordenarmos", explicou Susy Iovieno, uma das integrantes do grupo. 

Salvini acusou, em seu perfil no Twitter, que o Partido Democrático (PD), de centro esquerda, esteja por trás do movimento. "Arranhe uma sardinha e você vai encontrar um PDtista", escreveu em sua conta no Twitter. 

De acordo com Iovieno, a resposta na rede é "surpreendente" e em poucos dias a página registrou milhares de adesões, especialmente na faixa etária de 30 anos. "O grupo nasceu em 16 de novembro. Na segunda-feira (18) éramos 180, hoje alcançamos 36,3 mil perfis", conta. "As sardinhas de Milão não odeiam ninguém, se opoem à cultura do ódio e do medo ao outro. Com esse espírito saímos unidas como sardinhas às praças". / AFP e REUTERS

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