Georg Wendt/dpa/AFP/Germany OUT
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Às vésperas da eleição, Merkel se lança na campanha

Chanceler pretendia ficar longe da disputa, mas mudou de ideia em razão das dificuldades enfrentadas pelo líder de seu partido, a CDU 

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2021 | 05h00

BERLIM - Às vésperas da votação de domingo na Alemanha, a chanceler Angela Merkel se lançou na campanha – mais uma prova de que seu partido conservador se encontra ameaçado. Ela não é mais candidata e esperava ficar longe da eleição. Mas, em vez disso, vem pedindo votos para Armin Laschet, candidato da União Democrata-Cristã (CDU).

Na terça-feira, em Stralsund, seu distrito eleitoral, ela até brincou sobre o tamanho de seus sapatos – que são menores do que a média – na esperança de convencer os eleitores de que Laschet seria a pessoa certa para “ocupar o seu lugar”.

Pesquisas mostram vantagem para o Partido Social-Democrata (SPD), rivais tradicionais da CDU. Mas, na última semana, os conservadores reduziram a diferença para cerca de 3 pontos porcentuais.

Os democratas-cristãos são o maior partido da Alemanha e há décadas vem sendo a força política dominante. Apesar do segundo lugar, eles têm reputação de serem fortes na linha de chegada, o que dá esperança a Laschet. O Partido Verde ocupam a terceira posição.

O SPD faz uma de suas campanhas mais fortes, marcada por mensagens progressistas, desde o aumento do salário mínimo até a criação de moradias acessíveis. Seu candidato, Olaf Scholz, tem se vendido como a melhor opção para substituir Merkel. “A social-democracia está de volta”, disse Andrea Römmele, reitora da Escola de Governança Hertie, em Berlim.

Durante anos, os social-democratas foram um parceiro minoritário e meio esquecido no governo, e Merkel muitas vezes conseguiu receber créditos por ideias deles, como o salário mínimo nacional e a permissão do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Agora, a falta de uma narrativa forte tem sido um dos maiores problemas de Laschet. 

Esta semana, ele foi criticado por ter lançado uma campanha na qual aparece tentando lidar calmamente com um manifestante antivacina. O problema é que o lançamento da peça publicitária ocorreu dias depois que um negacionista atirou e matou um frentista que se recusara a atendê-lo porque ele não usava máscara.

Em Stralsund, ao lado de Merkel, Laschet homenageou a vítima e repreendeu os manifestantes antivacina. “Não queremos essa violência”, disse. Mas nada que ele dissesse empolgava muito quem assistia. Tanto os habitantes da cidade quanto os turistas não tiravam os olhos da mulher que influencia suas vidas desde 2005.

Gratidão

Christine Braun, filiada à CDU, disse que votaria em Laschet, mas que o motivo de estar ali de pé, debaixo de chuva, naquela noite fria de setembro era outro. “Vim prestar minha homenagem à senhora Merkel, nossa chanceler e representante”, disse. 

Vilana Cassing e Tim Taugnitz, estudantes, estavam de férias em Stralsund e também foram ver a chanceler. Eles se descreveram como “verdes de esquerda” e não votariam em Laschet. “Acho que será bom se os democratas-cristãos forem para a oposição”, disse Taugnitz.

É o que pode acontecer. Mesmo que o SPD saia como o partido mais forte, ele ainda precisa encontrar um parceiro para compor o governo – que provavelmente seriam os verdes, o que empurraria a CDU para a oposição. 

Laschet vem alertando contra os dois partidos, que seriam um “perigo” para a prosperidade que os alemães desfrutaram com Merkel. “É completamente errado o que o SPD e os verdes estão planejando”, disse Laschet à multidão, na terça-feira, referindo-se às promessas de aumentar impostos dos mais ricos. “Eles deveriam investir e criar empregos.”

Merkel, em vez disso, procurou elogiar as realizações de Laschet e de Georg Günther, que espera herdar a cadeira no Parlamento que ela desocupará depois de 30 anos. Ela expressou confiança de que os dois dariam continuidade ao curso que ela havia estabelecido.

Escutando sem prestar muita atenção, Thilo Haberstroh, da cidade de Karlsruhe, que estava em Stralsund a negócios e só passou pelo comício por acaso, disse que nenhum dos candidatos o havia convencido. “Foi um evento interessante, mas nenhum deles me impressionou muito”, disse. “Ainda não sei em quem vou votar no domingo”. / NYT, TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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