Às vésperas da eleição, Santos recebe o apoio de empresários colombianos

Como sinal de respaldo a sua política econômica e às negociações de paz, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, recebeu ontem uma carta assinada por 80 empresários favoráveis a sua reeleição. Esse apoio não tinha sido enviado ao candidato à reeleição no primeiro turno e chegou a seu gabinete a apenas três dias da eleição definitiva de domingo.

DENISE CHRISPIM MARIN , ENVIADA ESPECIAL / BOGOTÁ, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2014 | 02h05

O opositor Óscar Iván Zuluaga, do Centro Democrático, ainda mantém o apoio de empresários do interior do país, sobretudo da região de Antioquia, reduto eleitoral de seu padrinho, o ex-presidente Álvaro Uribe.

Uma das dissidências em Antioquia foi Nicanor Restrepo, presidente da Suramericana de Inversiones, que assinou a carta em apoio a Santos. Restrepo foi um dos líderes do sindicato empresarial de Antioquia e havia participado das negociações de paz durante o governo de Andrés Pastrana (1998-2002). O ex-presidente do Bancolombia Jorge Londoño também aderiu à campanha de Santos.

Com diferenças muito pequenas sobre a condução da política econômica, Santos e seu desafiante Zuluaga disputam a cada milímetro das associações empresariais. O opositor obteve o apoio dos setores produtores de óleo de palma, de gado bovino, da Sociedade de Agricultores da Colômbia e da Federação Nacional de Comércio.

Outros setores fortes no país, como o cafeicultor, não só pendem para Zuluaga como organizaram paralisações e piquetes contra medidas adotadas por Santos desde o ano passado.

O economista Guillermo Perry, ex-ministro da Fazenda do governo de Ernesto Samper (1994-1998), explicou que a estratégia de campanha de Zuluaga envolveu a disseminação da ideia de que os empresários são inteiramente contrários à reeleição de Santos.

Entre os que se beneficiaram dos incentivos fiscais e dos subsídios concedidos pelo governo de Uribe, porém, muitos preferiram a apoiar Santos, como os 80 da carta.

Mais do que a lista de nomes, a carta enviada a Santos trouxe um forte apoio empresarial ao processo de negociação de paz entre o governo e as duas principais guerrilhas em ação no país - Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e Exército de Libertação Nacional (ELN).

"O senhor dirige um governo que mostra resultados econômicos sem precedentes, aumento do emprego formal, aumento do investimento estrangeiro, modernização da infraestrutura e excelentes relações internacionais", disseram os empresários no texto. "Destacamos e renovamos nossa total confiança no processo e no esforço para construir a paz para todos os colombianos que o senhor conduz (…), em benefício das vítimas do conflito interno, para o bem da sociedade e como instrumento para garantir nosso futuro democrático", completaram. Segundo Perry, Zuluaga promete restaurar algumas políticas adotadas durante o governo de Uribe e abandonadas por Santos.

Entre elas, a recuperação de benefícios fiscais para os setores empresariais mais influentes na economia e o aumento dos subsídios para os cafeicultores. Santos, nesta reta final da campanha, prometeu determinar o aumento dos pagamentos de horas extras para os trabalhadores, que estavam cortados desde o governo de Uribe.

Mas não há diferenças acentuadas entre as políticas adotadas por Santos e seu antecessor, insistiu o economista. "Não foram maiores do que as do governo de Fernando Henrique Cardoso e do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva", resumiu. Tanto Uribe quanto Santos tiveram cuidado na gestão macroeconômica, que hoje se expressa no crescimento de 4,5% projetado para este ano e no elogio dos organismos financeiros internacionais.

Uribe dedicou menor atenção para a geração de saldos positivos nas contas públicas do que Santos, mas não foi irresponsável, disse Perry. O atual presidente, por sua vez, rompeu o isolamento do país e o expôs a acordos de livre comércio com a Europa, os EUA e, mais recentemente, com a negociação da Aliança do Pacífico, além de melhor relação com os vizinhos bolivarianos.

As diferenças se concentram justamente no aspecto destacado pelos empresários na carta: o processo de paz. Segundo Perry, as negociações serão difíceis mesmo para Santos, que deu início ao novo processo. Se termina com sucesso, em curto prazo haverá melhora da confiança dos investidores. Em médio prazo, pode haver redução de gastos militares e maior espaço fiscal para investimentos na área social e em infraestrutura.

O resultado da eleição, segundo a agência de classificação de risco Moody's, não vai significar mudança dos fundamentos macroeconômicos da Colômbia nem causar impacto na sua nota de crédito.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.