Às vésperas de deixar poder, Sarkozy aceita renúncia de premiê

Presidente eleito, François Hollande, confirma encontro com Merkel e adia formação de novo gabinete

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2012 | 03h10

A transição na França deu mais um passo com a demissão do atual premiê, François Fillon. O pedido foi aceito ontem pelo presidente Nicolas Sarkozy. Enquanto parte do governo deixa o Palácio do Eliseu, o presidente eleito, François Hollande, adiou a formação de seu gabinete para o dia 16, um dia após sua posse.

A formalização da renúncia de Fillon foi feita instantes após o Conselho Constitucional da França proclamar Hollande o presidente eleito. Por meio de carta entregue a Sarkozy, o premiê - que permaneceu os cinco anos no cargo - encerrou a maior parte de suas funções. Minutos depois, o Palácio do Eliseu informou que havia aceitado o pedido. Apenas decisões protocolares são tomadas pelo gabinete demissionário, à espera da transmissão de poder.

Ontem, Hollande informou a inversão de prioridades no dia de sua posse. Logo após a cerimônia oficial, ele embarca para Berlim, onde encontra pela primeira vez na posição de chefe de Estado a chanceler da Alemanha, Angela Merkel. O objetivo é dar um sinal de mobilização dos dois líderes mais importantes da União Europeia em relação à crise econômica. Assim, a primeira reunião de seu ministério foi adiada para o dia 16.

Enquanto o governo se prepara, o favorito ao cargo de primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault, teve de apagar ontem o primeiro incêndio em torno de seu nome. O deputado também é prefeito de Nantes. Em 1997, ele foi condenado a seis meses de prisão por ter dispensado uma licitação para a impressão do boletim informativo municipal, beneficiando um empresário próximo ao Partido Socialista com um contrato de € 914 mil.

"Sou um homem honesto, e assim continuarei", disse. O caso, divulgado por um grupo criado no Facebook e chamado "Não ao PS", pode beneficiar a atual secretária-geral do partido, Martine Aubry, que parecia em desvantagem na corrida pelo posto de premiê.

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